Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 22/07/2021
O historiador brasileiro Nicolau Sevcenko diz que viver no século XXI é como estar em um looping da montanha-russa, que causa uma sensação de passividade em relação aos problemas. Nesse contexto, no Brasil, a população é bombardeada pelas mudanças no mundo digital e torna-se dependente desses artifícios, por conta da interface viciante de aplicativos que gera uma “porta de escape” da realidade o que, consequentemente, leva a graves problemas ao bem-estar dos usuários. Logo, é necessário analisar as causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade.
Em primeira análise, a interface dos aplicativos é criada e projetada para ocuparem o maior tempo de uso do internauta. Segundo Marta Peirano, jornalista espanhola, a economia da atenção ganha dinheiro mantendo indivíduos presos em determinados aplicativos fazendo eles terem uma falsa impressão de liberdade de escolha, sem perceberem que aos poucos estão viciados na rede. Paralelamente, no filme, “Jumanji”, os jovens são “sugados” para dentro do jogo de ficção de maneira tão intensa que pareceu real. Desse modo, é notório que os adolescentes passam tantas horas em seus celulares, nas redes sociais ou em jogos on-line, que sua realidade fica entrelaçada ao mundo virtual, o que gera diversos transtornos psíquicos.
Em segunda análise, vale ressaltar o que o mundo virtual causa na saúde dos seus usuários. Os jovens acham nas redes uma “porta de escape” dos problemas da realidade, pois são influenciados pela dopamina – um neurotransmissor do prazer e da satisfação – fazendo-os dependentes do mundo digital. Esse vício ativa a síndrome da dependência digital, ou nomofobia, que é o medo irracional de ficar sem o seu celular ou ser incapaz de usar por algum motivo. Consequentemente, pode desencadear dificuldade em socializar, estresse, ansiedade, depressão e transtorno obsessivo compulsivo. Dessa maneira, é inegável que a dependência digital influencia na saúde mental e consequentemente na evolução de transtornos.
Infere-se, portanto, que a interface viciante dos aplicativos promove a dependência digital, logo a problemas na saúde mental dos usuários. Cabe ao Ministério Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, eludir os efeitos da dependência digital na saúde dos jovens por meio de palestras nas escolas, com profissionais da saúde, sobre os perigos do uso imprudente do aparelho. Dessa forma, o cidadão irá ter conhecimento dos métodos digitais e desenvolver responsabilidade no manuseio dos aplicativos, jogos e redes sociais.