Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 14/03/2021

A Revolução Técnico-Científico-Informacional, decorrida durante o século XX, redesenhou a estrutura organizacional da comunicação e da informação com a inserção do fenômeno digital na vida cotidiana do novo milênio. É notável, no entanto, que, apesar de possuir indubitáveis benesses, esse cenário revolucionário se apresentou à juventude contemporânea com um lado obscurantista: a dependência digital. Destacadamente no Brasil, faz-se mister analisar as motivações sociais e as reverberações na saúde dos jovens na conjuntura atual.

De início, é inegável que o imediatismo moderno e a fuga à realidade são, sim, duas das principais causas da adesão patológica aos mecanismos digitais pela juventude brasileira. Isso se dá, porque, ao possibilitar a instantaneidade, a internet acomodou não só os jovens, mas todos os seus usuários, a um cenário mais seletivo e organizado, com o uso dos algoritmos, de acordo com as preferências de cada internauta. Desse modo, tornou-se mais prático recorrer ao aparato digital para resolver questões cotidianas, por exemplo, - o que retroalimenta o imediatismo - e mais cômodo encarar uma vida digitalizada, visto que basta um “click” para se desconectar ou se reconectar. Com efeito, é a esse cenário que o sociólogo Zygmunt Bauman se refere ao falar da “Liberdade Ilusória”: os indivíduos são submetidos a uma espiral de dependência digital que se afunila com o uso descuidado, porque a internet é, justamente, configurada para que essa relação viciosa seja, imperceptivelmente, firmada.

Por conseguinte, os principais impactos dessa dependência se revelam nos crescentes casos de doenças mentais entre os jovens do Brasil e dos outros países. Isso posto, ao tomar como base a obra “Sociedade do Cansaço”, do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, para quem “cada época possui epidemias próprias”, nota-se que, assim como as doenças bacteriológicas e virais marcaram o século XX, são as patologias neurais que definem o sèculo XXI, e estas se associam, logicamente, ao uso descabido das redes sociais principalmente pelos jovens. Afinal, não é por outra razão que o Brasil é considerado, hoje, o país mais ansioso do mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

Portanto, faz-se palpável a necessidade de intervenção por órgãos oficias para a transposição da dependência digital pela juventude brasileira. Dessarte, o Poder Executivo Municipal, representado pelas secretarias da Educação e da Saúde, deve evidenciar o problema nas urbes brasileiras.  Isso pode ser feito por meio da organização de seminários ministrados por psicólogos e psiquiatras - que abordem, apropriadamente, o tema em escolas e espaços públicos - e da sugestão de medidas profiláticas, nesses eventos, como a ferramenta que controla o tempo de uso diário presente nos “smartphones”. Assim, a sintomática sociedade do cansaço será combatida.