Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 13/03/2021
No filme ‘‘Wall-E’’, a humanidade é obrigada a deixar a Terra depois de a terem deixado inabitável. Na nave em que fogem, as pessoas possuem cadeiras como meio de transporte envolvidos por uma tela que projeta imagens, isolando-os dos problemas à sua volta e assim permaneceram por 700 anos. Saindo da ficção, é possível perceber que - assim como as telas no filme - os jovens usam os meios digitais para evitar os seus problemas, o que pode gerar dependência e o então pioramento das doenças mentais e das relações sociais.
Em uma primeira observação, é preciso perceber que - na maioria das vezes - quando o jovem depende do meio digital, ele está fugindo de algum problema. Segundo a Psicologia, o vício é um mecanismo de fuga emocional em que o indivíduo obtém prazer e foge da dor. Assim, sentimentos como insuficiência, insegurança ou situações como bullying na escola e ausência dos pais na infância podem levar o adolescente a encontrar refúgio em video-games ou na internet, pela sensação de prazer momentâneo e então preenchimento do vazio, de acordo com a Sociedade Brasileira de Saúde Mental.
É necessário notar, consequentemente, que o vício digital gera problemáticas em várias áreas da vida. Para suprir o vazio emocional, muitos fazem de tudo para não parar de usar a internet. Desse modo, podem tentar evitar relações sociais como reuniões familiares e amizades na escola. Por isso, essa solidão é capaz de gerar ou agravar doenças mentais como ansiedade e depressão, esta com uma propensão duas vezes e meia maior de se desenvolver nesses usuários do que naqueles que acessam a rede de maneira moderada, segundo a Associação Médica Americana.
Portanto, é essencial combater a dependência digital dos jovens no Brasil. Para isso, é imperativo que o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação, traga esse tema para discussão com os jovens. Nesse intuito - com a ajuda de verba - as instituições educacionais deverão trazer dinâmicas como debates e filmes sobre vício digital - nas aulas de Ciências Humanas - supervisionadas por seus devidos professores, para que percebam sintomas nas suas próprias ações e procurem ajuda. A partir disso, ao contrário do filme, será possível que o adolescente perceba seu vício e enfrente seus problemas fora da internet.