Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 14/03/2021

Considerada uma patologia psiquiátrica pelo Conselho Federal de Psicologia, a dependência digital já é uma realidade no Brasil. Essa compulsividade tecnológica, principalmente, no público jovem, torna-se um grande desafio ao país visto que o alto grau informacional da sociedade junto aos mecanismos aliciadores das redes resultam em trantornos psíquicos e prejuízos à socialização do usuário obsessivo.

A princípio, a matriz do problema é evidenciada ao analisar o estágio informacional social em conjunto com as estratégias atrativas das redes como agentes promotores do vício digital na juventude. Esses fatores assumem a causalidade da dependência digital haja vista que, em conjunto, tais elementos criam um “ciclo vicioso” que prende o jovem nesse cenário. Esse panorama é evidenciado na íntima relação da sociedade com as tecnologias ao ponto em que o seu uso assume caráter de obrigatoriedade para o “bom convívio” social, devido às facilidades oferecidas como, por exemplo, o Uber e Ifood que intermediam ações básicas de deslocamento e alimentação e obrigam o indivíduo à fazer uso delas. Somado a isso, as redes sociais atuam como elemento coesivo ao cenário digital devido ao uso de algoritmos que criam uma realidade adaptada às preferências individuais, sendo assim, é desenvolvido um cenário mais atrativo que a própria realidade o que resulta numa compulsão pelo mundo digital.

Além disso, o problema se agrava ainda mais ao analisar os transtornos psíquicos e os prejuízos à socialização como principais consequências da dependência digital. Esses produtos do vício tecnológico são baseados nos próprios mecanismos das mídias que se baseiam em criar vínculos entre o usuário e a plataforma a fim de garantir a fidelidade do público. O problema disso é que, a íntima relação criada pode resultar em transtornos psicológicos graves, principalmente, à vida do jovem que ainda passa por processos desenvolvimento psíquico que acompanharão o indivíduo até a vida adulta. Esse cenário, segundo o sociólogo Cortella, transforma as mídias digitais em “corpo docente”, haja vista que, o contato tecnológico acontece ainda na infância e a magnitude dessa inserção contribui com a formação de transtornos psíquicos e prejuízos à sociabilidade, como aponta relatório da OMS. Isso prova que esses danos ao desenvolvimento da juventude são produtos diretos do vício informacional.

Portanto, é preciso acabar com a dependência tecnológica no país. Desse modo, cabe ao Estado a tarefa de regulamentar o uso das plataformas tanto por meio de propagandas que apresentem esses produtos como potenciais viciantes, quanto por fiscalizações e punições às empresas que utilizares de mecanismos apelativos e potencialmente viciantes ao usuário. Nessa perpectiva, isso se faz necessário para proteger, principalmente, os jovens “cidadãos do mundo digital”.