Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 14/03/2021
‘‘Argh! Estou farto de semideuses; Argh! Onde é que há gente no mundo? - escreveu o dramaturgo Fernando Pessoa, sem imaginar que esse trecho se encaixaria perfeitamente no cenário atual. A partir disso, pode-se analizar que a constante exposição aos padrões propagados, na mídia, contribui para a acentuação dos distúrbios psicossociais - os quais são manifestados por meio de crescentes casos de doenças como a depressão e a ansiedade. Dessa maneira, em que medida e em que condições a dependência digital pode refletir na vida do jovem na atualidade.
De fato, o advento digital, ao invés de limitar-se ao seu papel, que consiste em representar a extensão das propriedades humanas, substituem em muito as ações antrópicas. O ritmo fustigante em que se dá a dinâmica social está fortemente imbricada com o contexto veloz pautado no uso da tecnologia. Todavia, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), relata que até 20% dos utilizadores desse recurso online sofrem de vício ou dependência emocional do sistema social de comunicação (Facebook, Instagram, TikTok). Dessa maneira, pode-se concluir que, além do sistema funcionar como uma fórmula de ‘’escape’’ da realidade e inclusão no mundo virtual, acaba também sendo um ambiente de propagação de um alter ego de semideus, onde o comportamento dos usuários se pautam em um falso ambiente de felicidade plena e da verdade absoluta nas redes sociais.
Por outro lado, os meios de comunicação são, hoje, assim como estudado pelo filósofo Byung-Chul Han, um terreno fértil para retroalimentar uma sociedade que possui as suas necessidades centradas no espetáculo. Por mais irreal, inatingível e, sobretudo, hegemônico que seja, a maioria das vozes da internet nunca vai além de uma rede relativamente pequena, e muito do conteúdo que se torna viral em plataformas como TikTok, Youtube ou WhatsApp fazem isso por causa de instituições invisíveis no trabalho. Em outras palavras, uma equipe de relações públicas com objetivo de impulsionar um perfil de celebridade, dessa forma, a fama pode aparecer de repente e então ser retirada de novo, por que o público fica entediado, os algoritmos mudam e a tendência cultural que um vídeo ’’ trend’’ atingiu, simplesmente sai de moda.
Portanto, pode-se inferir que, para que os jovens não sofram com consequências da dependência digital, torna-se necessária a implementação de uma política de fiscalização nas redes sociais-que articule as esferas Federais, da OMS e empresas corporativas que trabalhem com algoritmos na internet. Dessa maneira, consigam apresentar os riscos ocasionados pelo seu uso excessivo, e que de forma positiva, os algoritmos sejam utilizados para informar- por meio de campanhas em horários de maior acesso dos usuários- com a finalidade de mostrar a vulnerabilidade proporcionada pela internet.