Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 13/03/2021
A Revolução Técnico-científica, difundida na segunda metade do século XX, teve como característica a desenvoltura de sistemas, como a internet, que encurtaram distâncias e promoveram um modelo de comunicação mais instantâneo e globalizado. Nessa perspectiva, ainda que as plataformas online sejam indispensáveis à contemporaneidade, há, por parte dos jovens, um desequilíbrio quanto ao tempo destinado a essas ferramentas. Logo, faz-se necessária uma análise dos fatores que impulsionam a dependência digital juvenil, tal qual os seus respectivos efeitos na saúde desses indivíduos.
Sob esse viés, é importante mencionar o pensamento do psiquiatra Sigmund Freud, o qual elucida que não é possível enfrentar a realidade sem que haja algum ‘mecanismo de fuga’. Nesse sentido, considerando-se o caráter lúdico e interativo que as redes sociais apresentam, percebe-se que, por vezes, são utilizadas pelos jovens como instrumento de escape e distanciamento de conflitos interpessoais. Isso ocorre devido à possibilidade de “criação” de uma identidade virtual, de modo que o exibicionismo, somado à aclamação e ao triunfo públicos, ocultam, ainda que de forma momentânea, inquietações internas, potencializando a frequência de acesso dos jovens à “web”.
Consoante à reflexão anteposta, é válido frisar que a dependência tecnológica compromete o pleno resguardo da saúde dos cidadãos. Nesse cenário, uma pesquisa da revista Super Abril afirmou que, em média, os adolescentes tiram o celular do bolso 200 vezes ao dia e, normalmente, o tempo gasto por esses na internet varia entre 6 e 9 horas diárias. Dessa maneira, a ausência de equilíbrio quanto ao tempo para manejo dessas ferramentas não apenas resulta na formação de indivíduos mais introspectivos e, assim, sujeitos a dificuldades relacionadas à socialização, mas também distancia-lhes de atividades voltadas ao bem-estar físico, incitando fatores como o sedentarismo e a obesidade.
Nessa lógica, com o fito de minimizar o tempo de acesso dos jovens às mídias virtuais, é imperativo que o Ministério da Infraestrutura destine maior capital às Secretarias de Desenvolvimento Social, com o intuito de que centros de esporte e lazer, os quais devem fornecer atividades multidiciplinares, como aulas de pintura, música e esportes, sejam instaurados nas cidades, de modo que os ‘métodos de fuga’ possam ser substituídos por atividades construtivas. Além disso, cabe aos pedagogos, com o auxílio dos psicólogos das instituições de escolares de níveis fundamental e médio, promoverem reuniões com os pais dos estudantes, com o fito de auxiliá-los no processo de regulamentação do acesso dos filhos à internet, de forma que os aparelhos tecnológicos sejam utilizados com equilíbrio e sensatez. Com esses critérios, a saúde física e psíquica desses indivíduos não será comprometida pelas ferramentas digitais.