Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 14/03/2021
Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade A partir de meados do século XX, inicia-se uma nova fase de processos tecnológicos: a Terceira Revolução Tecnológica e o advento da internet. Se o ambiente virtual, outrora, assustava por ser desconhecido, atualmente a dependência de seus usuários mais jovens ao ciberespaço tornou-se o atual fator preocupante por causa da sua praticidade que eles têm de, por exemplo, comprar, se relacionar e de darem permissões de acesso às suas informações. Nesse sentido, não é razoável que jovens e adolescentes tenham contato não supervisionado e sem controle de tempo no meio digital. Portanto, cabe aos pais e/ou familiares imporem esses limites e, em caso de dependência, procurarem um devido acompanhamento psicológico.
Convém ressaltar que a amplitude do ambiente virtual pode ser danosa à liberdade. Os algoritmos de sites e aplicativos agem de forma coercitiva: captam aspectos do internauta e criam uma bolha, um simulacro de lugar confortável, em que músicas, postagens e páginas são sugeridas ao usuário, fazendo, assim, com que ele perca autonomia de escolha e seja submissível e influenciável. Um severo exemplo disso é o recente caso de feminicídio, registrado pela Folha de São Paulo, onde a “Streamer” de 19 anos conhecida como “Sol” é morta a facadas por seu rival de um popular jogo digital. Evidencia-se os malefícios oriundos ao acesso mal supervisionado de jovens e adolescentes ao meio online.
Além disso, somado às consequências oriundas da dependência digital dos jovens na contemporaneidade, temos o fator da violência. A série “Black Mirror” aborda essa temática ao trazer um conto de ficção científica, em que a tecnologia pode ser invasiva, violenta e até letal. Mais de 70% dos brasileiros jogam “games” eletrônicos, segundo a 7ª Edição da Pesquisa Game Brasil (PGB) e esse número só tende a aumentar nos próximos anos. Sendo assim, nem o Marco Civil da internet, que visa a regulamentação das tramitações online a fim de preservar o cidadão, dá conta dessa tarefa, pois é nessa esfera que a propagação e utilização de informações para doutrinar os seres, o que acaba por evidenciar a necessidade da intervenção dos tutores dos jovens para a amenização desse problema.
Dessa forma, a manipulação dos dados das pessoas é uma questão de liberdade de pensamento e, por isso, direito do cidadão. Cabe ao Ministério da Educação, com o apoio de famíliares, a implementação de programas e alterações nos currículos básicos a fim de que haja literacia digital, para que todos sejam autônomos. Paralelamente, o Marco Civil da internet deve ser repensado pelo Poder Judiciário a fim de aumentar a fiscalização das corporações que se utilizam de informações com má fé e finalizá-las, quando necessário, visando o bem estar social conforme previsto na Constituição Federal de 1988.