Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 02/01/2021

O documentário “O dilema das redes” mostra como as redes sociais partem de estratégias baseadas no conceito de tecnologia persuasiva para convencer as pessoas a permanecer conectadas. Nesse contexto, abre-se discussão para as causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade, os quais cedem a esses estímulos e desenvolvem um comportamento viciante, cujas raízes se encontram em um desejo de pertencimento e aceitação e culminam em prejuízos para a característica elementar do ser humano de sociabilização.

A princípio, é preciso abordar a questão com seriedade, visto se tratar de um vício. Acerca disso, na revista Superinteressante foi publicado um estudo que explicou que as pílulas de informação recebidas on-line geram descargas de dopamina como as que um fumante recebe ao acender um cigarro. Logo, é uma dependência que deve ser revertida. Além disso, pensando nos jovens e partindo do pressuposto de que a adolescência é um período no qual há um desejo categórico de pertencimento e aceitação, as redes sociais propiciam o desenvolvimento de comportamentos viciantes, pois lá é possível se relacionar com pessoas com inclinações semelhantes, sendo, muitas vezes, uma fuga da realidade para o jovem que não se encaixa em seu círculo social.

Somado a isso, é imprescindível destacar as nocivas implicações da compulsão digital. Sob essa perspectiva, o filósofo Aristóteles definiu o homem como um “animal político”, feito para viver em sociedade. Nesse sentido, ao passar mais horas diante da tela de um celular ou computador e priorizar esse contato em detrimento da aproximação física, a máxima do pensador é colocada em xeque e muito se perde em relação à capacidade de interação social. Por conseguinte, esse jovem que só sabe se expressar on-line pode ter dificuldade em articular um discurso em uma entrevista de emprego, por exemplo. Depreende-se, então, que as consequências da dependência digital, além de prejudicarem as características basilares do ser humano, afetam habilidades indispensáveis à vida em sociedade.

Fica claro, portanto, que o vício em se manter conectado é um problema contemporâneo que precisa ser revertido. Por essa razão, o Ministério da Educação deve desenvolver um projeto que aborde a questão em sua completude desde os anos iniciais de ensino. Isso pode ser feito por meio da disponibilização de cursos ministrados por psicólogos e pedagogos aos professores, para que eles aprendam maneiras lúdicas de abordagem do tema para cada faixa etária, com vistas a induzir um comportamento responsável nos mais novos e a identificar quadros de dependência nos adolescentes, que serão encaminhados para tratamento. Assim, a tecnologia persuasiva utilizada nas redes sociais não será capaz de controlar indivíduos orientados por um comportamento consciente e equilibrado.