Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade

Enviada em 01/01/2021

O livro “Cyberculture”, do filósofo francês Pierre Lévy, retrata, acerca do cyberespaço, a nevrálgica perspectiva de que, na sociedade hodierna, há uma sobreposição do real juntamente ao virtual. Nesse sentido, faz-se indubitável que a proporção colossal adquirida pelos meios digitais mostra-se como fenômeno geratriz de uma compulsão aos próprios, cuja causa fudamental é a exposição demasiada à internet a qual acarreta na manipulação do comportamento do indivíduo. Logo, torna-se mister analisar o surgimento e as consequências da contemporânea dependência digital  nos jovens.

Sob essa ótica, salienta-se que a rotineirização dos usos digitais em massa, de modo exagerado, demontra-se uma forte causa do problema. Progredindo essa afirmação, consoante psicanalista Sigmund Freud, o ser humano refrata os aspectos do seu cootidiano. Analogamente, na chamada era da informação, com a ascensão exponencial da presença dos meios digitais nas tarefas humanas, não apenas os jovens mas toda a sociedade, por via de regra, tendenciam a assimilar o intenso uso destes como resultado disso, assim, tendo como efeito a emergência de vícios nessa prática.

Por conseguinte, convém ressaltar que a capacidade, à medida que essa problemática cresce,  de alterar o comportamento de adultos e jovens, de modo intencional e planificado, por intermédio das redes, ganha força. Desenvolvendo essa proposição, o documentário “Dilema das Redes” explicita isso, o longa deflagra como as redes sociais utilizam-se do tempo o qual o internauta passa na plataforma para lucrar e, posto isso, quais as estratégias visando mantê-lo o maior intervalo temporal possível. Interpretando esse raciocíno, fica irrevogável a mudança manipulada dos hábitos de qualquer usuário, inclusive os de menor idade, dessa maneira, agravando ainda mais o nefasto quadro desse percalço.

Infere-se, portanto, que, paradoxalmente, a liberdade propiciada pela internet trouxe, consigo, dependência a ela mesma. Diante disso, urge que as famílias, no intuito de reduzir o astronômico impacto do contato com a realidade virtual aos jovens, ponderem o período diário de utilização desnessária desta de forma que se evite o desenvolvimento progressivo de um vício e estimule-os a outros afazeres. Isso por meio do estabelecimento de limites e orientações àqueles no que concerne o uso de aparatos eletrônicos conectados aquela. Enfim, contrariando o pessimismo tratado na questão pelo filósofo supracitado.