Causas e consequências da dependência digital dos jovens na contemporaneidade
Enviada em 31/12/2020
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a dependência tecnológica dos jovens no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela passividade do governo, seja pela insuficiência constitucional. Diante disso, torna-se fundamental a discussão das causas e das consequências de tal postura negligente para a sociedade, a fim do seu pleno funcionamento.
É indubitável que a passividade do governo esteja entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira diferente, é possível perceber que, no Brasil, a falta de atuação estatal acerca da criação de mecanismos que potencialmente minimizariam a dependência tecnológica no território nacional - impulsionando transformações através da educação, por exemplo - permite que esse cenário seja uma realidade contundente no país. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura governamental de forma urgente.
Outrossim, destaca-se a insuficiência constitucional como impulsionadora do problema. Por esse ângulo, convém salientar que a dependência digital está diretamente relacionada ao uso abusivo da internet, das redes sociais, dos celulares e dos jogos. Nessa lógica, dependentes tecnológicos enfrentam desafios nocivos, como prejuízos significativos em áreas importantes para o desenvolvimento e para a socialização do indivíduo. Isso é um grave problema, uma vez que, conforme a Constituição Cidadã, garante-se à população a inviolabilidade do direito ao bem-estar social, o que destoa da realidade do Brasil, no que concerne ao combate à dependência digital dos jovens na contemporaneidade. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a insuficiência constitucional contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e estas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, por meio das escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate à dependência digital dos jovens na contemporaneidade, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não se viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.