Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 20/06/2018

O ideário de Newton afirma que um corpo tende a permanecer em repouso até que uma força satisfatória atue sobre ele, em sentido contrário, mudando-o de percurso. Sob essa perspectiva, é possível reaver a questão do suicídio entre jovens para além da dinâmica, em uma constituição sociológica. Assim, analogamente, a aprendizado e o diálogo agem como métodos de intervenção para a transformação do estático âmbito vigente.

Vanguarda ao Pai da Física Moderna, Émile Durkheim discute que o homem, mais que formador do meio, é produto dele. O conceito do sociólogo francês pode conduzir a uma avaliação sobre o crescimento de 12% da taxa de suicídio juvenil brasileira, entre 2011 e 2015, como fruto de uma ideologia social que persiste e banaliza, de certa forma, essas mortes, tornando-as assuntos tabu e invisíveis socialmente.

Outro ponto consoante é o conceito de “Outrospecção” do filósofo australiano, Roman Krznaric, que defende o olhar para fora, a fim reconhecer outras pessoas, perante a sociedade introspectiva moderna. Desse modo, o individualismo contribui com a perpetuação dos desafios enfrentados por jovens tendenciosos ao suicídio, devido à redução da estima sobre o bem-estar desse grupo que pode vir a sofrer com o desespero extremo causado por transtornos mentais, perdas, pressões sociais ou mesmo crises econômicas.

Corroborando com a teoria newtoniana, urge, portanto, a demanda por uma força de mudança. O Ministério da Educação, em parceria com os meios de comunicação, sob a supervisão do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, deve investir em campanhas que visem popularizar a existência de meios de ajuda como o Centro de Valorização da Vida, ao estimular ligações ao 188. Outrossim, é viável ao MEC a exibição de palestras voltadas ao esclarecimento sobre transtornos mentais e suicídio, ministradas por profissionais licenciados em Psicologia, em escolas de Ensino Médio, com intenção de criar um espaço para discussão e ademais, formar uma geração mais consciente e empática.