Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil

Enviada em 31/08/2021

No livro “As Virgens Suicidas” do escritor norte-americano Jeffrey Eugenides, o autor narra a história de cinco irmãs adolescentes, relatando a sequência de seus suicídios sem a existência de um motivo aparentemente plausível. De forma análoga, o suicídio torna-se uma questão cada vez mais categórica no Brasil, evidenciando a ausência de medidas para combater a precariedade na saúde mental da população e prevenir o autocídio. Com efeito, a tentativa do distanciamento dessa realidade pelo coletivo reflete a necessidade da manutenção de políticas públicas para solucionar essa adversidade.

Mormente, o suicídio é diretamente interligado a fatores como profundo sentimento de solidão e transtornos psicológicos não identificados ou tratados – entre eles a depressão e bipolaridade. Sob essa conjectura, a sensação de ser a única saída para as questões mentais do indivíduo deve ser combatida com a ampliação no tratamento para esses transtornos, no intuito de erradicar essa visão. Nesse viés, a manutenção dos altos índices de autocídio denuncia a negligência dos atores sociais como efeito claro de uma herança histórica omissiva de assistência psicológica efetiva.

Outrossim, a ausência de diálogo e disseminação de informações sobre transtornos mentais na sociedade corroboram a conservação das altas taxas de autocídio. Consoante ao pensamento de Émile Durkheim, o “suicídio egoísta” é o formato mais frequente entre jovens, referindo-se ao afrouxamento das relações do indivíduo com a sociedade e consequente perda da vontade de viver. Nesse viés, infere-se a coercitividade social a influência nas ações individuais, demonstrando o peso do silenciamento coletivo na perpetuação desse problema.

Destarte, é mister a mobilização do Estado na tomada de providências com intuito de amenizar o quadro atual. Para combater o suicídio no Brasil, urge que o Estado implemente, por meio de investimentos estatais, um projeto informativo em todos os veículos midiáticos, visando fomentar o diálogo sobre problemas envolvendo a saúde mental destinado a parcela mais vulnerável da população: os jovens. Ademais, o projeto deve incentivar a criação de canais para redirecionar as pessoas afetadas para um tratamento psicológico adequado, com objetivo de prevenir o autocídio de forma efetiva. Somente assim a sociedade poderá exercer um impacto positivo na erradicação do suicídio, como sugere Durkheim.