Caminhos para prevenir o suicídio entre os jovens no Brasil
Enviada em 07/05/2018
“Nunca tivemos uma geração tão triste”. A afirmação do escritor Augusto Cury retrata o atual cenário brasileiro, em que muitos jovens estão perdendo suas vidas para um comportamento patológico pouco divulgado e muito negligenciado: o suicídio. Sob esse viés, pode-se citar a famosa série “13 Reasons Why”, da Netflix, que abordou a temática e ganhou popularidade rapidamente, no entanto, ensejou inúmeros comentários negativos por parte dos críticos.
Retroagindo historicamente, o suicídio foi considerado como uma patologia social por Emile Durkheim no século XIX. De lá para cá, inúmeros estudos sobre o assunto foram feitos, todavia, ele continua sendo um tabu dentro da sociedade mundial. Outrossim, vale citar a obra " O enigma do suicidio" de George Colt, em que o autor trata o ato suicida como uma histeria, podendo, no entanto, ser contagioso e influenciar outras pessoas a cometerem a mesma ação. Por certo, vários profissionais de saúde compartilham da mesma opinião do estudo supracitado e, atestam que os meios midiáticos são importantes veículos de disseminação do comportamento de autocídio, contribuindo para o aumento dos casos. Nesse ínterim, o suicídio se torna alvo de banalização e negligência fazendo cerca de 800 mil vítimas ao ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.
Além disso, é inquestionável, hodiernamente o crescimento do autoextermínio entre os jovens, sendo a quarta causa de morte para essa faixa etária, segundo o Ministério da Saúde. Ademais, o bullying pode ser considerado uma forte causa para desencadear a depressão e culminar no suicídio. A cada dia, a sociedade encontra-se num contexto mais preconceituoso, em que as diferenças de crenças, raças, classes sociais e opção sexual se sobressaem e hierarquizam os indivíduos. Aqueles considerados “fora dos padrões” são vítimas de violência física ou verbal, principalmente no âmbito escolar, acarretando sentimentos de impotência, tristeza, isolamento, contribuindo para o aparecimento da depressão e posterior suicídio, se não tratado adequadamente.
Destarte, é de suma relevância que o Ministério da Saúde invista em propagandas midiáticas sobre o tema suicídio, abordando os sinais e sintomas apresentados de forma clara e objetiva, a fim de esclarecer toda a população sobre a magnitude das doenças psiquiatricas e suas repercussões para a vida social. Além disso, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com profissionais de saúde ministrem palestras educativas sobre o tema em escolas, debatendo sobre as causas mais comuns de suicídio entre os jovens e mostrando os caminhos terapêuticos das doenças psiquiátricas. Desse modo, através da educação e da disseminação de informações concisas, o mundo poderá erradicar o suicídio das estatísticas mundiais mais cedo do que se imaginava.