Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome

Enviada em 28/08/2020

O livro “Vidas Secas”, do escritor Graciliano Ramos, retrata uma família do nordeste brasileiro, a qual devido às grandes estiagens, miséria e, por conseguinte, fome, é obrigada a migrar em busca de melhores condições de vida. Analogamente, a temática desse livro pode representar a trágica realidade do Brasil, visto que grande parte da população ainda tem uma alimentação precária, resultando, até mesmo, em mortes.

Isso porque, apesar de a produção global de alimentos ser suficiente para suprir as necessidades calóricas de cada um dos sete bilhões de indivíduos da população mundial, segundo dados da ONG Politize, a sua distribuição é extremamente desigual. Dessa forma, enquanto poucos possuem comida de sobra, desperdiçando quantidades exacerbantes, as quais seriam capazes de suprir a necessidade de muitas pessoas subnutridas, muitas dependem da garapa, uma mistura de água com açúcar, aquecida e dada como alimento, muitas vezes o único para tentar sobreviver, durante dias de inanição, fator evidente no documentário “Garapa”.

Além disso, ainda que existam programas sociais com o objetivo de diminuir a desigualdade, como a Bolsa Família e a Fome Zero, eles não foram o suficiente para a extinção da fome no Brasil. Isso porque não incluem os indivíduos no mercado de trabalho, nem melhoram a distribuição de alimentos para as camadas mais pobres. Devido a isso, principalmente, em áreas mais pobres do país, como no Nordeste, essa chaga se transforma em um trágico círculo vicioso, devido ao mau desenvolvimento físico e mental das crianças e o baixo potencial de trabalho causado pela falta de força e de energia decorrentes da subnutrição.

Percebe-se, pois, que para tratar a fome é importante atacar também a desigualdade. Com isso, o governo - por intermédio do Ministério da Saúde e da Educação - poderia investir mais no aperfeiçoamento das políticas públicas, por meio de projetos que visem melhor distribuição dos alimentos e melhor inserção dos indivíduos no mercado de trabalho, evitando o ciclo da extrema pobreza. Ademais, deveria intervir nos desperdícios exagerados, seja no momento de produção e colheita, seja na hora de comer, por meio de melhores tecnologias agrícolas e maior controle no limite de recursos utilizados. Principalmente, a partir da educação, mostrando nas salas de aula as consequências de jogar fora a comida e como ela pode ser sagrada. Dessa forma, seria possível diminuir a fome no Brasil, evitando que mais pessoas precisem largar tudo para migrarem atrás de melhores condições de vida, sofrendo o risco de morrer, como no livro “Vidas Secas".