Caminhos para evitar que o Brasil volte ao mapa da fome
Enviada em 25/08/2020
Na obra “Vidas Secas”, o autor Graciliano Ramos retrata a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos que eram obrigados a se deslocar para áreas menos castigadas pela fome. Nesse contexto, no mundo hodierno, apesar da redução do índice de fome no Brasil, diversas famílias não tem o que comer. Desse modo, devem-se analisar a desigualdade nutricional e a negligência do estado em relação à fome em regiões com clima pouco rentável.
Mormente, a tese de que a sociedade vive em uma constante luta de classes que acaba por privilegiar uma em relação à outra é amplamente defendida pelo sociólogo alemão Karl Marx e se faz presente no Brasil contemporâneo sendo evidenciada pela concentração fundiária e de renda. Sob tal ótica, o escritor Ariano Suassuna afirma que “é muito difícil vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos”. Nesse contexto, fica evidente que a fome nas camadas mais baixas da sociedade é resultado de uma concentração fundiária e de renda que continua a assolar o país, assim como evidenciado na obra supramencionada, em que Fabiano percebe que poucos concentram a maior parte das terras cultiváveis.
Assim, de acordo com Jean-Jacques Rousseau, filósofo francês, cabe ao Estado melhorar a condição do homem em sociedade haja vista que a mesma o corrompeu, no entanto, no Brasil tal fato não ocorre e, aliado à negligencia e corrupção, a fome persiste em assolar o país. Dados do orçamento do Governo Federal para 2018, a título de exemplo, mostram que o Programa Bolsa Família, fundamental para reduzir as disparidades socioeconômicas, teve um corte de R$1,7 bilhões. Dessa forma, ao reduzir medidas fundamentais para a saída do país do mapa da fome em 2014, o Estado impede que o problema se resolva e, com isso, favorece a reentrada em referido mapa.
Entende-se, portanto, que a fome no Brasil é resultado de grandes disparidades aliadas a um Estado negligente e corrupto. Por isso, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social que incentive programas como o Bolsa Família e Fome Zero, por meio do aumento de recursos para tais, a fim de que, por meio de tais auxílios, milhares de família obtenham ajuda para diminuir seus problemas sociais e comece a diminuir as grandes disparidades. Além disso, cabe ao Congresso Nacional que inicie o processo para a distribuição de terras desocupadas para famílias de baixa renda. Com tais atos o Brasil não retornará ao mapa da fome e milhares de famílias não vivenciarão as mazelas que a de Fabiano vivenciou.