Caminhos para combater a epidemia de crack no Brasil
Enviada em 17/10/2019
Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil. Bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa a epidemia de crack no Brasil, que deturpa a integridade social e a saúde pública, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse contexto, faz-se mister averiguar os caminhos para combater a disseminação do crack, seja por meio de políticas públicas preventivas, seja por meio de centros de tratamento no Sistema Único de Saúde.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que consoante o relatório lançado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), evidencia que a disseminação do crack, quadruplicaram no último ano. Sob essa perspectiva, infere-se que a epidemia desse entorpecente no tecido social, os corrompe os direitos sociais e civis dos cidadãos, haja vista o uso e a comercialização dessa droga química é uma mazela para o bem-estar social e para a integridade da saúde pública. Dessa forma, é notório que é a esfera pública precisa incitar medidas para coibir o uso e a disseminação do crack na biocenose, haja vista que, hodiernamente, o SUS carece de tais incentivos para combater essa epidemia, que sombra a saúde pública. Em meio a isso, uma analogia com o filósofo Thomas Hobbes se faz passível, uma vez que o pensador defendia que o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, no estando é perceptível que isso não ocorre no brasil.
Por conseguinte, com o desdobramento dessa temática, desprende-se que a ausência de centros de tratamento e reabilitação para os usuários de crack no SUS, também corrobora para o agravamento dessa problemática. Desse modo, é indubitável afirmar que a Esfera Pública não está cumprindo com seu dever Constitucional, haja vista que segundo a Constituição Cidadã -promulgada em 1998- é dever do Estado garantir com efetiva prioridade saúde pública aos cidadãos, sendo tal direito inalienável e intransponível ao homem. Porém tal direito não esta sendo garantido, pois, o SUS carece de centros de tratamento para a reabilitação dos dependentes químicos.
Portanto, é imprescindível que a epidemia de crack no Brasil seja atenuada, a fim a assegurar a integridade coletiva e o bem-estar social. Logo, é necessário que o Poder Público em parceria com a Secretária de Saúde criam e desenvolvam um Projeto Nacional -Zero Crack-, de modo a ser aplicado nos postos de saúde centros de atendimentos ao usuários, e que assim possam ser encaminhados para clínicas de reabilitação estabelecidas pelos estados de cada região. E também, é preciso que campanhas publicitárias contra o uso dessa droga, sejam disseminados por meio televisivos em comerciais. Assim, o Brasil do futuro idealizado por Zweig estará mais tangível da realidade nacional.