Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/11/2021

O primeiro antibiótico só foi descoberto em 1928, após a 1ª Guerra Mundial, a penicilina, descoberta que revolucionou não só a indústria farmacêutica, mas toda a humanidade, uma vez que com o auxílio desse medicamento e tantos outros a expectativa e qualidade de vida foram melhoradas. Ainda que o acesso às medicações contra diversas doenças tragam benefícios à sociedade, é necessário observar que a publicidade que tenta vender um medicamento como uma solução milagrosa sem efeitos colaterais pode banalizar a prescrição médica e a dificuldade de acesso à atenção básica de saúde pode facilitar o uso desregrado e inconsequente de parte da população que não recorre ao auxílio profissional.

Nessa perspectiva, acerca da lógica referente a automedicação, é válido retomar o aspecto supracitado quanto à publicidade de medicações veículadas nos diversos canais de mídia fazendo com que as pessoas acometidas por essas enfermidades busquem a medicação arbitrariamente. Nesse sentido, fica muito claro a falta de restrições mais severas às marcas que buscam incessantemente o lucro, comercializando uma falsa idéia de tratamento milagroso e instantâneo. Desse modo, a automedicação se apresenta como uma nova chaga social, onde as indústrias desejam vender a todo custo e a população que não possui acesso as profissionais da saúde recorrem aos medicamentos como única opção para mitigar sua doença, engendrando diversos efeitos colaterais.

Paralelamente ao descaso das esferas governamentais nessa questão, a falta de acesso a atenção básica nos hospitais fazem com que muitos indivíduos, com sintomas dessas patologias, não busquem ajuda especializada. Nesse contexto, pesquisas aventadas pela Organização Mundial de Saúde revelaram que a automedicação quando inadequada pode ter como consequências o uso irracional de medicamentos, efeitos indesejáveis e mascaramento de doenças evolutivas, além da ampliação de custos para o paciente e para o sistema de saúde. Assim, a falta de acesso a esses profissionais faz jus com que a busca por acompanhamento profissional, por parte dos doentes, seja evitada, aumentando, ainda mais, o índice de brasileiros debilitados por conta de interações medicamentosas e dependência.

Portanto, é necessário que o Estado, em face de Poder Legislativo, elabore leis com restrições mais rigorosas as propagandas de medicação e, como Poder Executivo, invista em unidades clínicas de atenção básica por toda Federação. Tal tarefa será realizada por meio de expansivas campanhas de saúde que chegarão inclusive aos rincões brasileiros, com profissionais de saúde de diversas especialidades, o que fará com que o povo brasileiro seja devidamente assistido em sua inteireza, demonstrando para a população a importância da prescrição médica feita com responsabilidade.