Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 19/11/2021

Uma novela brasileira “Salve-se quem poder” retrata o vício da personagem Úrsula em remédios calmantes e os problemas decorrentes dessa automedicação. Fora das telas, no entanto a conjuntura de automedicação não diverge da realidade de muitos cidadãos brasileiros e ocorre, principalmente, devido às questões políticas e economia. Nesse sentido, convém analisar as causas e soluções viáveis ​​para atenuar tal problemática.

Deve-se analisar, de início, como a influência política possui correlação com a manutenção desse impasse. No contexto da pandemia do COVID19, muitos indivíduos motivados pelo sentimento de ansiedade, buscam métodos de tratamentos alternativos contra o vírus, mesmo que eles não apresentem comprovação científica. Sob tal perspectiva, pode-se associar esse fator com a danosa influência dos governantes, que prescrevem, em rede nacional, fármacos a exemplo da cloroquina, que não são recomendados pela comunidade científica para o tratamento do vírus. Ademais, tal conjuntura pode ser explicada pelo conceito de poder de Foucalt, no qual quem detém o poder determinar o que é conhecimento, sendo assim, a descredibilização da ciência por parte dos governantes evidencia o aumento da automedicação da população,

Somado a isso, é essencial compreendendo como a indústria farmacêutica contribui para permanência do uso irracional de medicamentos. Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, os medicamentos devem ser usados ​​de forma racional, ou seja, a prescrição do fármaco correto e a dose correta. Entretanto, diante do contexto atual, pode-se afirmar que são poucos, de fato, que fazem o uso correto, isso ocorre devido à visão híbrida do medicamento, pois ele é visto como um bem de consumo, uma vez que a busca pela lucratividade transfere a visão qualitativa para a quantitativa. Dessa maneira, os cidadãos são influenciados pela mídia, por meio de propagandas, a consumirem fármacos sem prescrição médica, por exemplo.

Diante disso, é necessária uma ação efetiva por parte do governo, instância máxima de administração executiva, que consistiria em campanhas de cunho informativo e amplo alcance, através dos principais meios de comunicação, como publicações nas redes sociais, reportagens em rádios e em canais abertos da televisão. Nesse processo educativo, deve ser abordada a importância do uso racional de medicamentos e a necessidade da realização de uma consulta médica antes da ingestão de substâncias medicamentosas, com o objetivo de evitar panoramas análogos ao apresentado na ficção “Salve-se quem pode” e garantir a saúde dos cidadãos brasileiros.