Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 16/11/2021

A Constituição Federal de 1988 - humanista e democrática - assegura o bem-estar e o pleno respeito à dignidade a todos os indivíduos. No entanto, essa máxima constitucional, muitas vezes, não é coloca em prática no país, sobretudo no que tange à automedicação no Brasil, o que vem trazendo prejuízo ao meio social. Esse cenário desafiador é reflexo da ausência de ações do Estado e da falta de engajamento da sociedade.

Diante desse cenário, é cabível pontuar que a ineficácia estatal corrobora com a persistência da automedicação. Nesse sentido, o filósofo Aristóteles afirmou que o objetivo do Estado é promover vida digna aos cidadãos. Nessa lógica, deve-se ressaltar a carência de medidas governamentais sobre os perigos da automedicação na sociedade brasileira, que contrasta o ideal aristotélico. Dessa forma, a escassez de atendimento hospitalar no país acaba levando os cidadãos à automedicara-se, que é comum no Brasil pela falta de fiscalização nas redes farmacêuticas. Assim, os artigos jurídicos de garantia da saúde ao corpo social divergem de sua verdadeira função não sendo colocados em prática por inobservâncias estatais.

Ademais, torna-se evidente a influência do fator sociocultural sobre à automedicação no país. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que conforme o pensador Émile Durkheim afirmou, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse prisma, a proposta do sociólogo deve ser aplicada quando se observa que segundo o Ministério da Saúde, mais de 36% dos medicamentos comercializados nos Brasil são adquiridos por meio da automedicação. Nesse contexto, a falta de estímulo aos debates a respeito do uso de medicamentos sem prescrição médica no estado brasileiro que continua a perdurar por conta da ausência social na cobrança de seus direitos constitucionais colaborando para a permanência do impasse.

Portanto, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência, deverá discutir o assunto com profissionais especialistas na área da farmacêutica, com o objetivo de mostrar as reais consequências do problema e apresentar uma visão crítica orientando os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá com a elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Em adição, o Ministério da Saúde, irá realizar melhorias em toda rede farmacêutica do país, visando amenizar e a solucionar os entraves da automedicação no Brasil. Feitos esse pontos, com a justiça de Aristóteles e a visão crítica de Durkheim, a sociedade brasileira terá a efetivação dos elementos elencados na Constituição Federal.