Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 15/11/2021
“O mais escandaloso dos escândalos é aquele em que nos habituamos a eles.” A afirmação da filósofa Simone Beauvoir, pode ser relacionada ao comportamento da sociedade do século XXI diante da automedicação, já que mais escandaloso que a persistência desse problema é o fato da população se habituar a essa realidade. Diante dessa perspectiva, cabe a análise das causas e consequências da cultura da automedicação no Brasil contemporâneo, com ênfase na negligência estatal e influência das mídias.
Em primeira análise, cabe ressaltar que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 6°, garante a todos o direito à saúde. Contudo, o Estado falha quando se trata dos problemas da automedicação. Isso porque, o Ministério da Saúde não promove campanhas de conscientização, nas pequenas e grandes cidades, acerca das consequências desse imbróglio, para que a sociedade fique ciente da importância de não tratar apenas os sintomas de uma doença, com remédios sem prescrição médica, e sim descobrir as causas dela. Além disso, a fiscalização inadequada permite a venda de medicamentos sem o uso da receita médica e isso pode ser fatal, tendo em vista que esses fármacos necessitam de controle rigoroso durante o uso. Logo, essa falha Estatal é uma das causas do problema.
Ademais, é válido frisar a influência da mídia brasileira na banalização desse problema. Tendo em vista é comum cenas de automedicação em novelas e elas, juntamente com as propagandas com frases como “tomou doril, a dor sumiu.” repercutem na sociedade. Esse quadro normaliza o ato de tomar remédios sem a orientação médica, dando a impressão de que essa atitude não tem nenhuma consequência negativa. Nesse contexto, essa situação pode ser fatal, tendo em vista que apenas um profissional da saúde sabe indicar corretamente a dosagem, restrições para pacientes alérgicos e contraindicações para cada indivíduo. Portanto, a banalização desse comportamento na sociedade brasileira é outra causa dessa problemática.
Entende-se, diante do exposto, a real necessidade de reverter esse quadro. Para isso, o Ministério da Saúde, por meio de verbas da União, deve criar campanhas em todas as cidades do país acerca das consequências da automedicação. Além de restringir, nas mídias televisivas, cenas que favoreçam esse imbróglio, a fim de conscientizar a sociedade. Da mesma maneira, o Poder Executivo deve promover fiscalizações em todas as farmácias e meios digitais, com a finalidade de impedir a compra e venda ilegal de fármacos. Isto posto, a máxima de Simone não será reproduzida e a população do século XXI desabituada a esse comportamento.