Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/11/2021
O artigo 6° da Constituição federal de 1988 garante, entre alguns direitos sociais, o acesso de todo brasileiro à saúde. No entanto, esse direito não é totalmente atendido, tendo em vista o sucateamento e a precariedade no Sistema Único de Saúde, o SUS. A dificuldade de acesso à saúde, por sua vez, estimula que as pessoas busquem alternativas, sendo uma delas a automedicação. Destarte, urge que se discuta as raízes socioculturais desse mal e suas consequências na sociedade brasileira.
Nesse contexto, é fulcral analisar a raiz social da automedicação crescente entre os brasileiros. Embora a saúde seja um direito garantido pela Constituição, o atendimento precário, segundo estudo do jornal científico “The Lancet”, mata mais do que a falta de acesso a médicos. Sob esse viés, é correto afirmar que esse problema social estimula as pessoas a buscarem por medicamentos de modo independente, pois, sem dinheiro para bancar um plano de saúde e sem amparo no SUS, os pacientes ficam sem alternativas seguras, tendo de recorrer a medidas extremas. Dessa forma, é premente entender essa problemática como uma das facetas da má estrutura do sistema de saúde.
Outrossim, é primordial observar como o acesso à tecnologia potencializou a cultura da automedicação no Brasil. “É parte da cura o desejo de ser curado”. Sob esse prisma, a frase do filósofo estóico Sêneca pode representar como a força de vontade é o combustível que leva à cura. Então, essa vontade soma-se à falta de infraestrutura do SUS e à tecnologia cada vez mais em voga no século XXI, tornando-se um perigo. Consequentemente, as pessoas recorrem à internet como solução a seus problemas, tendo prescrição de remédios por qualquer pessoa. Dessa maneira, é primordial que essa cultura seja atenuada com investimento educacional.
Diante do exposto, é necessário, portanto, que o Ministério da Saúde abranja o atendimento gratuito e de qualidade, por meio de investimento no SUS e criação de mais postos de saúde, com vistas a atender à população, atenuando a busca por automedicação. Com essa medida, a população não ficaria à mercê da própria sorte, podendo buscar ajuda clínica nos postos instalados. Ademais, é importante que o Ministério da Educação, por intermédio de palestras, oferte instrução acerca dos perigos da cultura da automedicação, com o fito de conscientizar os brasileiros. Assim, essa problemática será superada nos mais diversos âmbitos.