Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 25/10/2021

No documentário “Take your pills”, disponível na plataforma de streaming Netflix, é relatado a história de adolescentes que, durante a faculdade, utilizam drogas lícitas para melhorarem suas notas e terem bons desempenhos. Nesse mesmo cenário, o que se observa no Brasil contemporâneo é semelhante ao que esses estudantes fazem, haja vista a automedicação entre os brasileiros. Nesse viés, a desorganização do sistema de saúde do país intensifica esse problema e gera consequências negativas para os organismos humanos. Assim, é importante analisar as raízes e os frutos dessa problemática.

Em primeiro plano, a desestruturação do sistema de saúde do Brasil implica na tomada de decisões por parte da população. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 garante o acesso à saúde de qualidade como direito de todo cidadão, no entanto, isso não ocorre na prática. Nesse contexto, os brasileiros que dependem dos recursos públicos para terem contato com profissionais da saúde, ao se depararem com longas filas de espera e hospitais sem estruturas física e logística suficientes, buscam a cura para suas doenças com o uso de medicações paliativas por conta própria, sem receita médica e ameniza seu problema instantaneamente. Logo, o Estado não pode ficar omisso em relação a essa problemática.

Outrossim, o uso de remédios sem a orientação adequada apresenta más consequências. Sob esse ponto de vista, o doutor Drauzio Varela explica, em sua página na internet, acerca dos riscos da automedicação, ou seja, profissionais da saúde garantem que, ao ingerir remédios sem a prescrição médica, o indivíduo ameniza sua dor, porém desencadeia inúmeras doenças -como a falência de órgão, por exemplo- que podem ser irreversíveis. Ademais, a utilização constante de drogas lícitas proporciona um vício em determinados compostos químicos que, mesmo sem o funcionamento convencional, a pessoa toma apenas pelo prazer. Desse modo, esse infeliz problema não poderá continuar no futuro.

Portanto, é necessário a criação de medidas para contornar essa situação no Brasil. Dessa maneira, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de cotas governamentais, a reformulação do Sistema Único de Saúde (SUS) -programa responsável pela saúde pública do país- para disponibilizar mais médicos nas unidades de saúde nos centros dos bairros, com o objetivo de que os brasileiros que necessitam dos cuidados públicos possam ter o acesso digno as corretas medicações, sem expor suas vidas ao risco. Assim sendo, menos documentários como “Take your pills” serão produzidos.