Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 19/10/2021
Após mais de um ano de combate à pandemia da Covid-19, começamos a vislumbrar o fim das medidas sanitárias de isolamento social e uso de itens de proteção individual. No entanto esta doença, que já tornou-se familiar à sociedade, surgiu como uma praga aterrorizante e desconhecida. Neste período inicial, a desinformação levou parcelas da população a medicar-se com remédios sem eficácia comprovada em detrimento a tratamentos convencionais. Esta tragédia traz à tona, portanto, o debate para a prática da automedicação, que torna-se um problema de saúde pública por si só, caso não seja acompanhado de informação de qualidade.
Atualmente é possível adquirir livremente diversos tipos de remédios em qualquer farmácia do país. Em sua maioria, os medicamentos sem restrição de compra são analgésicos, antiinflamatórios, descongestionantes e outras famílias de fármacos que tratam sintomas. Outros remédios, no entanto, possuem a exigência de apresentação de receita médica simples, ou em alguns casos documento em guia própria, retido pelo farmacêutico. Estes medicamentos incluem antibióticos, analgésicos fortes, substâncias psicoativas e outras drogas cujo acesso indiscriminado pode causar agravamento da doença, intoxicação ou dependência química. A distinção entre estas características sugere, portanto, que a automedicação é uma prática aceitável em certa medida, para alívio de desconforto e auxílio na recuperação do enfermo.
O advento da democratização do acesso à Internet trouxe uma mudança na dinâmica da automedicação. Hoje em dia é comum que uma pessoa realize pesquisas em motores de busca online a fim de encontrar possíveis causas para os sintomas que esteja sentindo. Em muitos destes casos a consulta à Internet substitui a procura por atendimento, e por consequência disto, a busca de um tratamento para uma doença sugerida por um site. Além disso, fontes especializadas de informação se misturam a notícias sensacionalistas e pouco confiáveis, que podem induzir o leitor a erros mais graves, como a superdosagem de substâncias, além de incentivar práticas que contradizem as recomendações médicas.
Conclui-se portanto que mesmo a automedicação com remédios mais leves pode causar problemas, caso os enfermos não tenham acesso a informação de qualidade. Uma medida possível para garantir este acesso seria a criação de uma plataforma on-line pelo Ministério da Saúde que centralize informações confiáveis sobre o tratamento de sintomas comuns além de incentivar a visita a um profissional. Tal medida pode auxiliar os cidadãos a terem um papel ativo na preservação de sua saúde.