Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 16/10/2021
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de saúde pública, os impactos da automedicação funcionam como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de informação e um pensamento banal impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, a carência de acesso ao conhecimento mostra-se como um dos desafios para a resolução do problema. Conforme Arthur Schopenhauer, “os limites do campo de visão das pessoas determinam sua compreensão acerca do mundo”. Nessa fala, o filósofo justifica a causa da problemática: se os indivíduos não possuem informações corretas - dados, estatísticas - sobre os perigos da automedicação, como a intoxicação e o agravamento de sintomas, o campo de visão será afetado, e a sociedade sofrerá com seres mais irracionais contra a própria saúde. Ainda, essa irracionalidade torna-se um perigo para saúde pública, uma vez que os cidadãos não acreditam no profissional da saúde especializado no assunto e acabam aumentando a incidência de doenças mortais quando não cuidadas adequadamente, por exemplo, a gripe.
Em segunda análise, um raciocínio trivial sobre ingestão própria de medicamentos apresenta-se como outro fator dificultador do bem-estar. Segundo Hannah Arendt, na teoria da banalidade do mal, “o ato preconceituoso passa a ser feito inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação”, comparando com a ideia preconcebida de que qualquer cidadão pode automedicar-se sem ser um profissional da saúde. Por esse ângulo, o avanço constante do campo de adesão da internet incentiva a população a usar remédios por conta própria, visto que são mostradas formas de utilização e dosagem na rede virtual, normalizando essas ideias de que não precisa ser um médico para prescrever medicamentos; no entanto, essas informações de uso nem sempre estão corretas, o que acaba por agravar a situação desagradável do paciente, realidade a ser mudada.
Portanto, medidas são necessárias para evitar os impactos da automedicação no Brasil. Por conseguinte, cabe à Escola realizar palestras, ministradas por profissionais da saúde, em ginásios escolares, com o “slogan”: “A cultura da automedicação”. Esse projeto pode ser feito mediante um diálogo - entre o público presente e o especialista sobre os perigos desse ato, como o agravamento da doença e sua proliferação demasiada, com dados estatísticos e infográficos, de modo que incentive as pessoas a acreditar nos profissionais e evitar de automedicar-se, resultando na plantação de sementes informativas que germinarão na coletividade ideal.