Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 04/10/2021

Segundo o médico e físico suíço-alemão Paracelso “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, dessa forma, a automedicação torna-se extremamente perigosa, devido a inconsciência da população à respeito do assunto, o que acontece, principalmente, pela desinformação do brasileiro e a ineficácia do Poder Público, que não da atenção necessária ao assunto.

Em primeiro lugar, é evidente que a automedicação poderia ser evitada, se o sistema educacional brasileiro abordasse com eficiência o assunto. Afinal, discussão sobre submeter-se a tratamento sem orientação médica, quando acontece, é superficial, uma vez que o currículo escolar organiza os saberes para que sejam utilizados em vestibulares, não como convivência social e coletiva. Tal desinformação fica evidente ao analisar a disseminação de falsas alegações de que o medicamento cloroquina é eficaz contra o vírus da Covid-19. Todavia, a Organização Mundial da Saúde afirma que tal medicamento além de causar efeitos colaterais, não tem eficácia comprovada no tratamento do vírus.

Em segundo plano, é primordial destacar que utilizar-se de medicamentos sem prescrição médica deriva da ineficácia do Poder Público, o qual tem como responsabilidade criar mecanismos que coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado em razão de um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar harmônia. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato no cenário hodiemo brasileiro, uma vez que a constituição brasileira libera o consumo de muitos medicamentos sem prescrição médica, colocando assim, a vida do brasileiro em risco. Por exemplo, conforme o Ministério da Saúde, aqueles que estão habituados a se automedicar correm perigo de intoxicação e resistência aos remédios.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para a resolução da medicação autônoma. Assim, cabe ao Ministério da Educação, responsável pela formação infantil à superior, por meio de uma alteração no currículo escolar, introduzir a problemática da automedicação e trata-la não apenas de forma superficial, demonstrando, dessa maneira, a importância do assunto e criando indivíduos conscientizados. Cabe, também, ao Congresso Nacional, por meio de mudanças na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os investimentos referentes a disseminação das consequências da automedicação, assim, o Poder Público será eficaz no combate à problemática. Somente dessa maneira, será possível ter um Brasil conscientizado e o pacto social de John Locke será efetivado.