Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 28/09/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, a qual se caracteriza pela ausência de conflitos. Entretanto, esse raciocínio do escritor difere totalmente da realidade brasileira, uma vez que a automedicação é um grave problema a ser debatido na população. Esse nefasto cenário ocorre não só pela inacessibilidade às consultas médicas, como também devido à banalização aplicada nessa problemática. Logo faz-se necessária uma imperiosa análise dessa conjuntura.

É importante ressaltar, a princípio, que a inacessibilidade às consultas médicas vai de encontro com o problema supracitado. Haja vista que, a facilidade das pessoas de baixa renda em se automedicar, usando a internet, por exemplo, em grande parte, é devido à falta de acesso ao atendimento médico, fruto do desequilíbrio social evidente no Brasil. Tal situação lamentável, de certo modo, pode dificultar o diagnóstico correto do paciente, bem como trazer diversos danos à saúde, como a intoxicação medicamentosa. Assim, percebe-se que a carência de acessibilidade aos serviços médicos é capaz de prejudicar a qualidade de vida do indivíduo, o que, por consequência, torna a mudança desse quadro urgente, dado que, de acordo com a Constituição federal de 1988, o direito à saúde é para todos.

Ademais, convém destacar que a banalização perante a problemática colabora para a permanência deste panorama. Em face disso, cabe abordar a série televisiva norte-americana “Dr. House”, a qual apresenta um protagonista viciado em medicamentos que amenizam sua dor muscular. Nesse sentido, esse seriado assemelha-se ao contexto atual brasileiro, tendo em vista que o hábito de ingerir remédios sem prescrição médica é massivamente naturalizado pela sociedade, em razão de sua praticidade e do alívio imediato dos sintomas. Tal cénario preocupante pode afetar a integridade moral da pessoa, ao passo que possibilita essa a desenvolver uma dependência química, fruto da automedicação. Desse modo, nota-se que a naturalização dessa prática interfere na própria cidadania do indivíduo, e consequentemente, no pleno exercício do corpo social.

Portanto, medidas para a reversão desta conjuntura são necessárias. Dessa forma, concerne ao Ministério da Saúde, em parceria com a mídia, grande poder de influência, potencializar, por meio de campanhas e anúncios publicitários, o combate à automedicação no Brasil, envidenciando o quão prejudicial é esta prática, em função de sua importância, a fim de diminuir a ingestão de medicamentos sem orientação médica no século XXI. Feito isso, será possível a construção de uma nação que distancia-se do panorama demonstrado pelo seriado norte-americano.