Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 24/09/2021
Na série " Sob pressão", evidencia-se a história de Leonardo, um jovem que faz uso de remédios controlados sem recomendação médica em detrimento do seu desempenho escolar. Fora da dramaturgia, ampliou-se na sociedade o debate acerca da automedicação no século XXI. Destacam-se, no Brasil, a superlotação dos hospitais públicos e o incentivo midiático de drogarias como os motivadores de tal consumo. Portanto, faz-se vital ratificar o bem-estar da população e retificar esse hábito social.
Nesse contexto, é imprescindível ressaltar que a Constituição Federal de 1988 garante que é responsabilidade do Estado fornecer atendimento médico aos cidadãos. Nesse liame, o SUS foi desenvolvido para a efetivação desse compromisso. Entretanto, na realidade diversos hospitais e postos de saúde enfrentam entraves, ora pela demora de atendimento, ora pela escassez de recursos, de modo que refletem na adesão da automedicação. Segundo Aristóteles, compete ao governo, por meio da justiça, promover o equilíbrio dentro da sociedade. Logo, é indubitável que a automedicação brasileira é resultado do descumprimento da Legislação e da omissão governamental perante a Justiça.
A posteriori, outro fator que delimita a problemática é a utilização da publicidade como ferramenta de indução ao consumo de paliativos e manipulados. Conforme Vitor Hugo, romantista francês, o progresso roda constantemente sobre duas engrenagens, visto que faz fluir algo, prejudicando, ao mesmo tempo, outrem, ou seja, a comercialização da saúde tem corroborado para a resistência das bactérias em circulação. Nesse viés, destaca-se a vulnerabilidade da fiscalização da venda de medicamentos nas drogarias, já que o Brasil é o país em que mais ocorre a automedicação no mundo, segundo o IBGE.
Perante tudo isso, é fundamental implementar meios de mitigar esse comportamento contemporâneo. Assim, urge que o Governo Federal financie a reestruturação do SUS, de forma que o projeto cumpra com as normas estabelecidas, por meio da correta administração do dinheiro público para o usufruto da sociedade, de maneira que os cidadãos encontrem todo o atendimento previsto na Carta Magna, de modo que seja minimizado o tempo para o atendimento dos cidadãos. Além disso, o Poder Legislativo deve aprimorar as leis que controlam a compra de medicamentos, para a legitimação de tal poder, por meio da ampliação de prescrição médica para a venda de remédios controlados e dos antibióticos. Quiçá, será possível enxergar uma sociedade mais equilibrada e saudável.