Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/09/2021
De acordo com a Associação brasileira de indústrias farmacêuticas, mais de 20 mil mortes poderiam ser evitadas se houvesse controle da automedicação no país. Diante de tais cifras, evidencia-se que o brasileiro tem como hábito o uso de medicamentos sem indicação médica prévia. Tal comportamento encontra suas raízes na negligência estatal em coibir esse comportamento e tem consequências graves na saúde pública e individual.
A princípio, vale ressaltar que o uso de fármacos por conta própria tem como causa fundamental a ausência de políticas públicas que combata tal comportamento. Nesse sentido, o Sistema Único de Saúde enfrenta uma demanda na atenção primária além da sua capacidade de resolução, cenário que dificulta o acesso a consultas médicas de maneira rápida. Assim, a população tenta resolver suas questões de saúde a partir de indicação de amigos e familiares. Como agravante, há ainda uma lei que autoriza a propagandas de medicamentos, situação que acaba por induzir o indivíduo a consumir o fármaco antes de se consultar com um médico.
Em consequência disso, a sociedade sofre com importantes consequências no âmbito da saúde pública e individual. Segundo a teoria do neodarwinismo, a seleção natural atua favorecendo organismos que apresentam características favoráveis à perpetuação da espécie. Sob essa lógica, o uso inadequado de antibióticos causa a seleção de cepas bacterianas multirresistentes, tornando cada vez mais difícil e dispendioso o tratamento de doenças infecciosas cenário que onera o SUS e coloca em risco a vida dos pacientes. Ou seja, quando indivíduos leigos se automedicam podem gerar efeitos impactantes para todo o tecido social do país.
Diante do exposto, fica evidente a necessidade de medidas que promovam a mudança desse comportamento social. Para isso, o Ministério da Saúde deve criar uma campanha de conscientização que aborde as consequências da automedicação. Essa ação deve ser posta em prática por meio de postagens nas redes sociais e também como anúncios em canais abertos de televisão, e devem abordar tanto os riscos individuais quanto coletivos com uma linguagem de fácil compreensão para que atinja um maior número possível de pessoas. Essa medida tem como finalidade induzir uma mudança de comportamento social de modo que as pessoas deixem de indicar medicamentos para conhecidos e de consumir por conta própria.