Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 21/09/2021

Na obra “utopia”, o escritor Thomas More idealiza uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de mazelas e conflitos. De modo antagônico à ficção, na contemporaneidade, a prática da automedicação, a qual é resultado do descuido popular e da neligência midiática, gera malefícios na vida do cidadão. Urge, pois, a primordialidade de pormenorizar as causas e as consequências desse revés.

É importante pontuar, de início, que a cultura da automedicação possuí uma íntima relação com o problema. Nessa perspectiva, o sociólogo Ségio Buarque de Hollanda afirma que o brasileiro tem em suas raízes históricas ações movidas pela emoção em detrimento da razão: “o homem cordial”. Tal conceito se aplica a atividade de tormar remédios sem indicação médica, haja vista que muitos indivíduos consultam amigos e familiares para medicar-se. Consequentemente, sintomas como alergia, intoxicação e dependência em remédios podem surgir no organismo.

Outrossim, é preciso destacar que o ato de ingerir medicamentos por conta própria é pouco discutido nos veículos de midiáticos. Sob esse prisma, o filósofo contemporâneo Adorno preconiza que a indústria cultural, por meio de notícias frequentes e ilimitadas, originam o comportamento em massa no meio social. Entretanto, tal poder de influência é subexplorado pela mídia, visto que as poucas notícias e debates que circulam a respeito do assunto não são suficientes para convencer o indivíduo a parar com a automedicação. Logo, problemas de saúde pública como as mortes por complicações farmacológicas e o aparecimento de bactérias mais resistentes a antibióticos tornam-se mais difíceis de serem evitados.

Em suma, observa-se a necessidade de atenuar os desafios relacionados à cultura da automedicação. Primeiramente, o Ministério da Saúde, além de criar debates com especialista no assunto em canais educativos na TV,  deve difuldir propagandas em sites e redes sociais, a fim de que a mídia influencie as pessoas a pararem com o consumo indiscriminado de medicamentos. Vale, ainda, que a Família, célula máter da sociedade, destaque a importância das recomendações médicas no uso de fármacos para que o indivíduo seja tratado com o remédio correto e em doses certas. Assim, a obra de More ficará mais distante da ficção.