Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 30/08/2021
Na série “Doutor House”, o médico House faz uso constante de analgésicos para poder controlar as dores em perna direita, com isso ele acaba desenvolvendo um vício a esse medicamento. De maneira análoga, a automedicação no Brasil necessita de caminhos para ser combatida. Tal problema decorre da influência midiática, bem como o traço cultural, o que contribui para perpetuar o problema.
A priori, vale ressaltar que a influência que a mídia exerce na sociedade é um agravante dessa problemática. De acordo com estudiosos da escola de Frankfurt, o conceito de “indústria cultural” ocorre quando a única preocupação da mídia é vender e lucrar. Ou seja, as empresas veiculam propagandas sobre medicamentos sem prestar atenção aos ouvintes, apesar dos riscos que eles oferecem à audiência, como incentivar a automedicação, isso explica a grande quantidade de anúncios sobre remédios na televisão e rádio. Consequentemente, as divulgações desses medicamentos podem influenciar a população a compra-los, e sem as instruções para o uso correto, pode gerar um vício medicamentoso assim como aconteceu com o médico da série.
Ademais, o traço cultural presente na sociedade brasileira perpetua o problema. Segundo o psicólogo Skinner, o “condicionamento operante” ocorre quando um indivíduo, ao realizar uma ação e obter resultado positivo, tende a repeti-la. Isso explica o fato das pessoas tomarem remédio por conta própria, uma vez que não precisaram ir ao médico para resolver seu problema de saúde, o que gera uma comodidade. Assim, o que se observa são dados alarmantes divulgados pela Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), em que cerca de 20 mil mortes anualmente no país por intoxicação medicamentosa.
Portanto, medidas são necessárias para reverter tais impasses. Nesse viés, o Congresso Nacional, que é o órgão responsável por criar as leis, deve proibir propagandas sobre remédios nos meios de comunicação, por meio da criação de projetos de lei, para reduzir a incentivo sobre tais produtos. De modo complementar, o ministério da saúde deve realizar campanhas de conscientização sobre os riscos da automedicação. Dessa forma, casos como o do médico da série poderão ser evitados.