Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 26/08/2021
A expressão “Tomou Doril, a dor sumiu” é um exemplo de propaganda que tenta apresentar os benefícios de determinado medicamento. No entanto, tal efeito pode ser danoso devido ao incentivo à automedicação sem um conhecimento adequado dos riscos, além de implicar em um dano ao bem estar social.
Nesse contexto, a educação, segundo o filósofo Michel de Montaigne, deve-se apresentar como útil ao indivíduo no seu cotidiano, porém, tal ideia não é presente no âmbido da automedicação. Visto que, devido a uma carência de informação, ainda presente na sociedade, tem-se maior uso de medicação sem acompanhamento médico, o que pode ser fatal nos casos da incerteza quanto ao tipo de doença, como por exemplo a dengue, que pode apresentar manifestações iniciais semelhantes ao de outras moléstias mas que não pode ser tratada com o mesmo grupo de fármacos, que são comuns em anúncios relacionados as queixas ligadas a dengue.
Além disso, o ato da automedicação, pode provocar diversos danos sociais. A noção de bem estar comum, como interpretação da ideia do filósofo Stuart Mill, pode ser analisada, nessa temática, como um vício que acomete o indivíduo, ou seja, podem apresentar manifestações que os levam a acreditar que estão doentes, sendo algo psicológico (hipocondría). Logo, tal resultado é o desgaste do estado de normalidade do ser social e meio social na tentativa de amenizar o avanço dessa problemática para outros membros da comunidade.
Portanto, se faz fundamental uma maior atuação na comunicação social como mecânismo para combater o hábito de automedicação. Sendo preciso, atuação do Ministério da Saúde junto ao da Educação no desenvolvimento de propagandas claras e acessíveis, que abordem os efeitos sociais que tal prática pode proporcionar, em adicional, elaboração de currículos escolares que abordem de forma mais frequênte temáticas sobre educação e saúde, a fim de proporcionar melhor compreenção sobre doenças e medicamentos. Ademais, propor aos meios divulgadores de propaganda um tempo de apresentação maior para os produtos ligados a àrea médica, com o intuito de esclarecer melhor o direcionamento, momento e uso de determinada medicação e apontar ainda a importância das consultas com profissionais capacitados.