Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/08/2021
Na concepção do sociólogo coreano Byung Chu Han, a sociedade foca no desempenho, o que gera uma cobrança interna de alto rendimento e, por conseguinte, reflete um corpo social marcado por óbices como a automedicação para sustentar essa produtividade no século XXI. À luz desse enfoque, é essencial debater que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro contemporâneo. Nesse viés, consoante à concepção do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Saúde tornou-se uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, não só pela carência de campanhas de conscientização acerca dos perigos da automedicação, mas também pelo pouco espaço destinado à debates sobre educação em saúde nas escolas. Isso posto, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia o Brasil a uma perigosa realidade de desconhecimento.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne do século XXI, as origens e consequências da ignorância social quanto à automedicação. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma verossimilhança entre essa teórica ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros banalizaram e normalizaram o uso de medicamentos sem prescrição médica, o que gerou, sob o viés biológico, frutos como a resistência de bactérias e vírus à certos medicamentos. À vista disso, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, a automedicação será desprezada e mais remédios não terão efeitos no futuro.
Assim, devido às fundações desse revés, urge que o Ministério da Saúde faça campanhas de conscientização acerca das ameaças que a automedicação pode ter, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia. Outrossim, esse instituto deve, por meio das escolas, fazer workshops sobre educação em saúde, com o intuito de diminuir o uso inadequado de medicamentos nas próximas geraçõese e, consequentemente, no futuro, diminuir os efeitos negativos da sociedade pós-moderna, focada no alto desempenho.