Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 03/07/2021
Na série americana “How i met your mother”,um dos principais personagens-Marshall-ao sentir uma dor de dente,automedica-se com uma aspirina,e sente agitação excessiva como efeito colateral do abuso do remédio sem orientação médica.Portanto,fora da ficcção,a normalização do tratamento em casa,atrelada a falta de atendimento emergencial público de qualidade,tornam a automedicação uma realidade comum no Brasil.
Em primeiro plano,é importante ressaltar que,a princípio,a automedicação-de modo responsável-é um fator positivo.Pois,sintomas recorrentes,como cólicas menstruais,não necessitam de consutas médicas,visto que as informações do medicamento indicado na farmácia estão explicadas em detalhes na bula.Entretanto,o uso indiscriminado,em decorrência a normalização dessa prática em todos os casos,pode causar danos sérios a saúde,como reações alérgicas ou intoxicação por superdosagens.Nesse sentido,de acordo com o conceito de “Mortificação do Eu” do sociólogo Erving Goffman,por influência de fatores coercitivos,o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva.Desse modo,a propagação da ideia de que a automedicação é sempre segura,mantém o uso da prática,o que dificulta a conscientização da população acerca dos riscos.
Portanto,o consumo de medicamentos sem orientação médica deve ser feito com muita cautela,visto que,segundo dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas(Abifarma),a automedicação é responsável por cerca de 20mil mortes por ano no Brasil.Isso se deve ao fato de que,sem a prescrição médica,o paciente desconhece os possíveis efeitos do remédio,além de restrições que devem ser feitas ao utiliza-lo.Desse modo,é essencial que a procura de um médico ou farmacêutico seja a primeira medida tomada pelo paciente,para evitar complicações.Além disso,a falta de unidades básicas de saúde,e atendimentos pelo SUS,corroboram para o aumento da automedicação,visto que nem toda população consegue pagar pelo atendimento privado,o que dificulta o tratamento seguro e de qualidade.
Depreende-se,portanto,a necessidade de solucionar a problemática.Desse modo,cabe ao Governo Federal,promover campanhas de informação,veiculadas através da mídia-nas redes sociais-com intuito de popularizar o assunto,destacando os riscos da automedicação,e induzindo sempre procurar orientação profissional em primeiro lugar,para que mais pessoas entendam acerca disso.Outrossim,também cabe ao Governo,que garanta asstência básica de saúde a todos,gratuitamente,por meio de postos de saúde,de acordo com o que está constado no Artigo 196 da Constituição Federal.