Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 24/10/2019
De acordo com dados do Guia 2017 da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), o Brasil ocupa a 8ª posição no ranking mundial do mercado farmacêutico. Essa indústria crescente desencadeia na sociedade o estímulo de estar sempre medicando-se. Entretanto, grande parte dos consumidores não procuram orientação médica. Assim, a automedicação é potencializada pelo poder do senso comum e o descaso dos órgãos governamentais em garantir informações seguras. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Sabe-se que, no mundo comercial, a divulgação “boca a boca” é um fator crucial para alavancar um produto. Todavia, o mesmo raciocínio, quando trata-se de remédios, é inadequado levando-se em consideração que, assim como cada corpo é único, responderá de maneira singular às ações dos medicamentos. Segundo Einstein, toda a nossa ciência comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos. Dessa maneira, urge conscientizar os brasileiros que sua saúde deve ser confiada na ciência médica e não em propagandas farmacológicas.
Convém ressaltar, ademais, que o conhecimento sobre os perigos da automedicação disponibilizados pelo governo à população é escasso. Se por um lado há recomendações de clientes do fármaco, que não entendem realmente sua funcionalidade, por outro há pouca ação para assegurar a conscientização acerca dos riscos dessa prática. De maneira análoga à Lei da Inércia, de Newton, a utilização de medicamentos sem prescrição médica, só deixará de acontecer quando outra força, vinda do Estado, intervir no seu curso.
Fica claro, portanto, que a busca por tratamento baseado apenas no pensamento comum deve receber atenção especial e fiscalização pelos órgãos competentes. Diante disso, é necessário que o Ministério da Saúde destine verbas para a propagação de cartazes nos estabelecimentos públicos com informações a respeito da automedicação e como ela pode ser maléfica aos indivíduos. Ademais, é importante investir em campanhas de publicidade com o tema para promover a reflexão da sociedade e fazer com que as pessoas busquem ajuda profissional em detrimento do senso comum. Para que, assim, a indústria farmacêutica progrida com responsabilidade e a saúde da população torne-se prioridade.