Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 21/10/2019
Tomar um medicamento por conta própria, para sanar uma dor de cabeção ou nas costas, por exemplo, é uma atitude comum e aparentemente isenta de riscos. Entretanto, o que muitos não sabem é que o mesmo potencial que o remédio tem para curar, ele tem para prejudicar o organismo, o que torna a cultura da automedicação, que tem crescido no país, em uma grande ameaça. Diante disso, deve-se analisar como a precariedade do sistema de saúde e a falta de conhecimento geram a problemática em questão.
É relevante enfatizar, a princípio, que a precariedade no sistema de saúde pública é o principal fator que favorece a cultura da automedicação. Isso ocorre porque, é cada vez mais comum que o atendimento qualificado, nas unidades de atendimento, dê lugar a enormes filas, a falta infraestrutura e a carência de profissionais. Em decorrência dessa negligência no sistema de saúde, muitas pessoas preferem evitar transtornos e comprar fármacos sem prescrição médica ou auxílio de um farmacêutico, o que pode causar intoxicações. Prova disso, é que 10% das internações são causadas por automedicação errônea, conforme divulgado pela Organização mundial da saúde.
Atrelado a precariedade do sistema, a escassez de conhecimento também é responsável pelo impasse em questão. Isso porque, não existem campanhas que dialoguem com o público a respeito dos malefícios da automedicação mas, somente, propagandas na mídia televisiva que incentivam o uso de remédios para problemas cotidianos, como dor de cabeça ou gripe. Somado a isso, a falta de rigor na fiscalização de farmácias, em especial nas afastadas dos centros urbanos, favorece a orientação e venda sem prescrição. Assim, é comum que o uso indisciplinar promova reações alérgicas ou até mesmo a resistência de bactérias no organismo.
Torna-se evidente, portanto, que medidas precisam ser tomadas a fim de combater a problemática em questão. Para isso, o Governo Estadual, em parceria com o Ministério da saúde, deve destinar verba para melhorar a infraestrutura dos hospitais, organizar o atendimento e promover concursos para médicos, enfermeiros e técnicos. Ademais, é necessário que o Governo Federal, em parceria com a mídia, viabilize campanhas que conscientize a população, além de tornar mais rígida a fiscalização da venda de produtos, aplicando multas nos que venderem medicamentos sem orientação. Assim, a sociedade poderá ser mais consciente a respeito do uso de medicamentos.