Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 20/10/2019
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária(Anvisa), criada em 1999, tem como uma de suas funções regular e controlar o consumo de medicamentos no Brasil. Contudo, apesar dos avanços conquistados para a saúde da população, a automedicação, seja pela influência da mídia, seja pela facilidade de acesso aos remédios, dificulta que a instituição exerça seu papel. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores, riscos e possíveis medidas relacionadas a esse revés social.
A priori, vale ressaltar a manipulação exercida pelos meios midiáticos como um fator preponderante para a problemática em questão. Acerca disso, é pertinente citar o conceito de ‘‘Indústria Cultural’’ criado pelo sociólogo Theodor Adorno, que identifica os veículos de comunicação como os responsáveis por orientar e impedir a formação do consumo consciente dos indivíduos. Seguindo tal premissa, vê-se que os conteúdos das propagandas persuasivas, aliadas a acessibilidade dos preços, estimulam a compra de medicamentos por conta própria. Dessa forma, por acreditarem na reversão do problema garantida na divulgação, parcela da população fazem a ingestão dos fármacos, negligenciando, assim, seus efeitos colaterais.
Outrossim, é imperioso ressaltar as consequências desencadeadas por essa prática. De acordo com recentes dados da OMS(Organização Mundial da Saúde), a automedicação causa complicações de saúde em 32% dos brasileiros. Sob tal conjuntura, faz-se necessário destacar que o uso de um simples antibiótico, sem prescrição médica ou farmacêutica, corrobora uma série de reações alérgicas, intoxicação e aumento da resistência de bactérias no organismo. Com efeito, os resultados dessa indisciplina podem ser refletidos na morte do indivíduo, uma vez que, muitas vezes, retardam o diagnóstico de uma doença mais grave.
Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter essa postura inconsciente da sociedade. Para tanto, cabe ao Governo, mediante ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária(CONAR), fiscalizar as propagandas que estimulam a compra de fármacos e solicitar que estas avisem o público dos riscos de seu consumo sem receita, com o propósito de incentivar as pessoas a procurarem orientação profissional em seu tratamento. Junto a isso, deve ocorrer uma vigilância mais rigorosa e a aplicação de multas altas, a fim de coibir a venda de medicamentos sem prescrição médica nas farmácias. Só então, será factível acabar com esse comportamento imprudente do brasileiro.