Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 17/10/2019
Na obra ‘‘Utopia’’, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a situação precária da saúde pública no Brasil e a banalização do uso de remédios sem prescrição, apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico leva a população ao ato da automedicação, que segundo os dados da Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas, é responsável por cerca de 20 mil mortes anualmente no país.
Em princípio, é fulcral pontuar que a automedicação deriva da situação precária da saúde pública. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela ONU em 1948, todo indivíduo tem direito à saúde e ao bem-estar social. Conquanto, a falta de investimentos do governo nos serviços de saúde, impede que a população brasileira desfrute desse direito universal e consequentemente faz com que as pessoas acabem tomando remédios por conta própria. Dessa forma, torna-se evidente que a falta de recurso nos hospitais, a falta de médicos, somados a longas filas de espera para conseguir uma consulta contribuem para o ato da automedicação.
Ademais, destaca-se a banalização de usos de remédios sem prescrição como as causas do prolema. Consoante ao sociólogo Durkeim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que, no Brasil, a normalização do consumo de remédios sem orientação de um profissional já se tornou um hábito comum a 77% da população brasileira, conforme um estudo do Conselho Federal de Farmácia. Desse modo, não há dúvidas que a forma de agir e pensar da sociedade favorece a perpetuação desse quadro.
Destarte, medidas são necessárias para que haja uma sociedade melhor. Logo, o Tribunal de Constas da União, deve direcionar capital que, por intermédio da Ministério da Saúde, seja revertido em investimentos na área da saúde, para que as pessoas consigam ter acesso as servições de saúde e não precisem se automedicarem e porem suas vidas em risco. Outrossim, o Ministério da Educação deve promover campanhas juntamente com o Ministério da saúde, a fim de conscientizar a população por meio de palestras e debates ministrados por profissionais do assunto, trazendo a público os riscos de se consumir remédios sem o auxilio de um profissional estimulando o povo brasileiro a se desprender desse hábito e como resultado alcançar o pleno funcionamento da sociedade