Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/10/2019
O mito do fio de Ariadne, da mitologia grega, é uma metáfora que defende a análise crítica e elaborada de problemas, com o intuito de tomar a decisão mais lógica, em referência ao fio que ajuda Teseu a escapar do labirinto que guarda o temível minotauro. Em termos contemporâneos, o mito ajuda a justificar a eficiência das ciências médicas na prescrição de remédios e tratamentos em face da prática da automedicação, que tem experimentado exponencial crescimento, especialmente em virtude da promoção do senso comum em sociedade e em mídias digitais.
Decerto, tratamentos alternativos e homeopáticos sempre estiveram, em grande medida, presentes no dia a dia dos brasileiros, principalmente em razão das influências indígenas no desenvolvimento da nação. No entanto, a automedicação, seja de fármacos puros ou de plantas ‘‘in natura’’, pode representar grandes riscos à saúde humana, que variam de intoxicação à overdose. De acordo com a BBC, o Youtube é um grande aliado na distribuição de falsas propagandas médicas e conta com uma variedade de vídeos que promete, inclusive, a cura para o câncer (de acordo com a BBC, o Youtube conta com variações em cerca de 40 línguas diferentes sobre o tema), a promessa consegue alcançar o público geralmente não por uma questão lógica, mas pela fragilidade emocional decorrente da preocupação com a saúde própria ou de um ente querido.
Ademais, a glamourização de suplementos e remédios caseiros também é um risco por seu fator de omissão. Em poucas palavras, o fator de desconhecimento dos efeitos adversos de muitos medicamentos, vendidos sem receita, representa uma gritante ameaça à integridade dos que os consomem. Segundo outra matéria pela BBC, um homem precisou de um transplante de fígado como medida de urgência graças ao consumo regular de cápsulas de chá verde que, embora conhecidas por prevenir doenças cardíacas e atualizar o metabolismo, têm como principal efeito adverso o comprometimento não só do fígado, mas dos rins.
Desse modo, a automedicação é o monstro invisível dos rótulos de medicamentos, principal assombrador de pacientes e civis desavisados. Em razão disso, é necessária a atuação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) na austerização do processo de aquisição de produtos e na medida de obrigatoriedade para com os produtores de especificar todos os efeitos, adversos ou não, em fármacos e suplementos naturais. Além disso, é de responsabilidade do Governo Federal investir na ampliação dos estudos biológicos para a produção de mais e melhores fármacos pela comunidade farmacêutica, para que, dessa maneira, não apenas os civis estejam cientes do produto que consomem, como não tenham a necessidade de recorrer à tratamentos incertos.