Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 08/10/2019
“O hábito é o grande guia da vida”. Essa é uma frase do filósofo escocês David Hume que reflete uma realidade persistente no Brasil contemporâneo. Dessa forma, a automedicação representa uma pauta emergencial, visto que é um costume enraizado na sociedade e nocivo à saúde. Isso se deve, sobretudo, à influência da mídia e à falta de fiscalização quanto à venda de remédios.
É relevante observar, primeiramente, que a mídia exerce grande poder sobre a população quanto ao uso de medicamentos sem consulta prévia. Nesse sentido, no livro “Vendendo Saúde”, dos escritores Eduardo Bueno e Paula Taitelbaum, é retratado a influência histórica da publicidade - desde o Brasil Imperial - a respeito da automedicação, haja vista que o uso de propagandas de cunho apelativo dá ao medicamento um status de efeito imediato. Sob esse viés, na atualidade, a prática ainda continua, vinculando, muitas vezes, a imagem de celebridades para que o consumidor seja convencido. Por consequência, o bem- estar da população acaba por ser comprometido.
Ademais, a ausência de políticas de segurança efetiva na venda e distribuição de remédios potencializa o problema. Nessa ordem, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) seja o órgão regulador e fiscalizador da comercialização de medicamentos, esta última é ineficiente, visto que a legislação sanitária prevê que remédios não tarjados sejam vendidos sem prescrição médica., por exemplo. Consequentemente, o uso exagerado desses - que possuem venda livre - podem vir a causar intoxicações ou agravamento do quadro, já que a qualquer sintoma se recorre a eles.
É necessário, portanto, que o Governo em pareceria com o Ministério da Saúde, mediante investimentos públicos, promova campanhas publicitárias mais inovadoras e eficazes, por meio das redes sociais, por exemplo, com o intuito de mostrar ao corpo social os malefícios da automedicação e incentivá-lo a buscar sempre a orientação médica, com o fito de minimizar este hábito intrínseco no país. Além da participação da Anvisa na fiscalização mais comprometida da venda de medicamentos, por meio de inspeções de segurança com maior frequência.