Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 03/10/2019
Para a Organização Mundial de Saúde, OMS, a utilização de medicamentos de forma consciente e responsável é uma prática de autocuidado. Contudo, o autodiagnostico e a insatisfação com o Sistema Único de Saúde, SUS, induzem ao consumo inconsequente ocasionando intoxicações e reações alérgicas. Nesse sentido, é necessária a ação de diversos setores sociais para atenuar a problemática. A priori, de acordo com a pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde, 90% dos brasileiros utilizam fármacos devido à influência do autodiagnostico. Nesse contexto, a cultura de diagnostico utilizando o “Doutor Google”, que consiste no autodiagnostico baseado em pesquisas online, associado à falta de fiscalizações nas farmácias para o controle das vendas dos medicamentos com alto nível de toxicidade e riscos para usuários, que são ilegalmente vendidos sem recomendação médica por meio de receita, contribuem para o consumo errôneo e exagerado de fármacos, podendo acarretar reações alérgicas e intoxicações. Desse modo, fica evidente a necessidade de conscientização da população para reversão dessas práticas.
Ademais, na Constituição Federal de 1988, promulgada com base nos direitos humanos, prevê como garantia fundamental o direito a saúde. No entanto, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, 93% dos brasileiros são insatisfeitos com o SUS. Nesse sentido, a precariedade nas estruturas e má qualidade de atendimento, devido à falta de investimento por parte dos estados e Governo Federal incita a busca por medicamentos. No entanto, tal conduta sem orientação profissional adequada pode acarretar no desenvolvimento de superbactérias bem como a piora de quadros clínicos. Logo, a falta de políticas públicas por influência da indústria farmacêutica que lucra com essa situação contribui para manutenção desse cenário.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de medidas que atenuem a problemática. Desse modo, cabe ao Ministério da Saúde, associados às Secretarias de Saúde, com o auxilio de verbas federais, desenvolver palestras e oficinas com farmacêuticos e médicos nas escolas e centros comunitários com o intuito de conscientização e instrução da população acerca da automedicação e seus riscos, como também a importância de buscar orientação profissional adequada. Além disso, o Ministério da Saúde deve disponibilizar verbas para a reestruturação dos centros de atendimentos do SUS, bem como realizar cursos de aprimoramento aos profissionais da saúde garantindo assim uma qualidade no atendimento e a importância de combater a venda ilegal de medicamentos atenuando assim a busca por automedicação e suas consequências.