Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 28/09/2019
O documentário “Tome suas Pílulas” retrata a história de atletas, empresários e estudantes americanos que utilizam indiscriminadamente de medicamentos estimulantes como a Ritalina. Apesar do curta-metragem se passar nos Estados Unidos, no Brasil, a história se repete: milhares de brasileiros se automedicam como reflexo da falta de informações sobre a periculosidade do processo atrelado à facilidade na compra de medicamentos.
Sobre esse contexto, é notório analisar que a praticidade na compra de medicamentos nas drogarias do país é fator preponderante para a manutenção da prática. Acerca desse ponto, a legislação prevê a liberação da venda de medicamentos como analgésicos, antialérgicos e anti-inflamatórios para qualquer cidadão acima de 18 anos, estimulando uso sem prescrição que pode complicar o quadro do paciente. Sobre esse aspecto, o relatório da Organização das Nações Unidas que aponta que até 2050, estima-se que mais de 10 milhões de pessoas morram por complicações advindas da automedicação.
Ademais, a falta de informações sobre o uso inconsciente dos fármacos acentua a sua utilização indevida. Sob essa ótica, o histórico déficit no sistema de saúde pública, advindo do desvelo dos governantes durante toda a história brasileira, impede que o aparato público de atenção à saúde promova políticas públicas que informem e conscientizem a população sobre os efeitos do processo. Sobre os efeitos, além de possibilidade de óbito, o procedimento também gera resistência dos medicamentos às doenças. Acerca desse fato, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entre 40% e 60% das doenças infecciosas já são resistentes a medicamentos.
Fica claro, portanto, que o quadro do documentário merece atenção, também, no Brasil, pois se trata de um problema de saúde pública. Nesse sentido, cabe ao Estado, por meio do Congresso Nacional, criar uma leia rígida sobre a venda de medicamentos com o fito de impedir a automedicação e, assim, diminuir as resistências às doenças e as mortes. Sobre a legislação, ela deve, também, contemplar mecanismo de controle automatizado com pedido digital do médico e assinatura, no ato de compra, do paciente e farmacêutico responsável, assim como é realizado na França. Somente assim, poder-se-á diminuir a automedicação.