Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 20/09/2019
Ao descortinar do século XX, em decorrência da Terceira Revolução Industrial, a produção e acesso à informação permitiu, dentre outras áreas, o avanço da medicina no que tange a remediação de doenças. Apesar dos inúmeros elementos positivos, tal progresso, aliado a fatores como a precariedade no sistema de saúde e a facilidade na obtenção de medicamentos, acarreta a automedicação por parte da população e pode trazer sérias consequências, configurando um grave problema de saúde pública.
Em primeira análise, é necessário observar a condição em que ocorre tal fenômeno. O cenário brasileiro de longas filas, má infraestrutura e carência de profissionais em hospitais públicos influenciam a perspectiva Maquiavélica de que os fins justificam os meios, ou seja, para a solução rápida dos problemas, o indivíduo recorre à obtenção de remédios mesmo sem orientação profissional. Tal realidade é responsável não apenas por dados como o da Organização Mundial da Saúde (OMS), que indicam a ocorrência de cerca de 10% das internações por automedicação errônea, como também por contribuir para a resistência de microrganismos de difícil eliminação.
Outrossim, as facilidades na automedicação no país são preocupantes. Por meio de sites de busca na internet e aplicativos relacionados a enfermidades, estes contribuem assim ao comodismo e até quadros de diagnósticos equivocados. Somado a isso, a falta de rigor nas fiscalizações em algumas farmácias, em especial nas afastadas dos grandes centros urbanos, promove a orientação de fármacos sem a presença de algum especialista, o que fomenta a imagem do uso indiscriminado de medicamentos como algo banal e corriqueiro. Como reflexo dessas práticas, de acordo com pesquisa do Ministério da Saúde, a utilização errônea de fármacos levou à hospitalização de mais de 60 mil pessoas de 2010 a 2015. Destarte, medidas energéticas são necessárias para reverter esse cenário.
Urge, portanto, a necessidade de combater a automedicação. O Ministério da Saúde deve orientar projetos que promovam a informação em ambientes públicos, centros médicos e educacionais, por meio de cartazes educativos e orientações médicas, além de aumentar os investimento no sistema público de saúde. Em adição, é imperoso o engajamento da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para fiscalizar e multar estabelecimentos que atuem de maneira contrária às leis impostas contra a venda indiscriminada de remédios, além da ação midiática com propagandas e debates públicos a fim de disseminar a consciência acerca dos efeitos medicinais. A articulação dessa pluralidade é impreterível para o aproveitamento ideal dos avanços proporcionados pela Revolução Industrial, formando uma sociedade sadia.