Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 13/09/2019

O Pajé, líder da tribo indígena,  é responsável por diversas tarefas numa aldeia dentre elas os rituais para a cura de enfermidades com auxílio de plantas medicinais. No entanto, anos se passaram, e com o avanço da medicina surgiram os primeiros medicamentos produzidos em laboratório, que hoje são responsáveis por um dos grandes problemas da saúde pública, a automedicação.

Mormente, é notório que o fato das pessoas tomarem medicamentos sem prescrição médica pode ser decorrente de problemas estruturais relacionadas ao funcionamento do sistema de saúde de um país. Segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, a sociedade é como um organismo vivo pois tudo está interligado. Em decorrência disso, o superlotamento dos sistemas públicos de saúde têm contribuído com o grande número de pessoas que se automedicam, visto que há uma grande demanda de atendimentos para o número limitado de médicos. Além disso, outro agente que colabora com esse problema é a mídia, lugar em que são veiculadas propagandas de determinados remédios para induzir o consumidor a fazer compras rápidas ao sentir qualquer incômodo no corpo.

Em segundo plano, o uso desenfreado dos medicamentos através da automedicação têm gerado consequências já perceptíveis na sociedade. De acordo com a Associação de Indústrias Farmacêuticas, a automedicação é responsável pela morte de 20 mil pessoas por ano no Brasil, número esse que está relacionado aos casos de infecções causadas pelo uso indiscriminado de determinadas substâncias. Outrossim, o uso de medicamentos sem orientação médica pode contribuir para o surgimento das superbactérias, que são mais resistentes e difíceis de serem tratadas, elas surgem do uso errôneo dos remédios que muitas vezes são tomados por menos tempo do que seria necessário, pois com desaparecimento dos sintomas o paciente suspende seu uso.

Urge, portanto, medidas para diminuir o hábito de se automedicar da população. O Ministério da Saúde deve fazer parcerias com consultórios de médicos particulares, para os pacientes que têm o cartão do SUS (Sistema Único de Saúde) possam usufruir de descontos significativos nas consultas médicas, diminuindo dessa maneira superlotação nos hospitais e o número de pessoas que se automedicam. Ademais, a Anvisa, instituição responsável por fiscalizar os medicamentos, deve orientar os laboratórios para colocar nas suas propagandas televisivas uma frase como: “Para tomar este medicamento procure orientação de um farmacêutico ou médico” a fim de diminuir a falta de informação como os índios ao desconhecer certas substâncias.