Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 12/09/2019
Na série brasileira ‘‘Sob Pressão’’ da emissora Rede Globo, dentre outros conflitos, é retratado o uso e dependência do médico Evandro em um remédio. Embora seja ficção, a automedicação do doutor apresenta um cenário cada vez mais comum no Brasil, no século XXI. Diante disso, percebe se que o uso de fármacos sem prescrição médica é causado pela ineficiência do sistema saúde, juntamente ao marketing das grandes corporações de saúde que, contribui para o uso exacerbado e sem receita.
Primeiramente, a precariedade da saúde brasileira é um dos principais fatores que estimula a automedicação da população, visto que, com a demora e a falta de qualidade do atendimento, os cidadãos preferem medicar-se a terem que passar por tais transtornos. Além disso, relaciona-se a saúde do Brasil com a teoria instituição zumbi, cunhada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que significa, na sociedade há a existência de um Estado que mantém sua forma, mas não cumpre com sua função social, que seria nesse contexto, a promoção de uma saúde de qualidade. Desse modo, o uso desenfreado e irresponsável de medicamentos pode evoluir para quadros de dependência química, afetando o corpo social.
Concomitantemente a isso, a influência da mídia sob seus espectadores fomenta a ideia da necessidade do consumo e prazer que os fármacos podem oferecer e colocam em suas propagandas a consulta à médicos de forma implícita aos consumidores. Análogo a influência farmacêutica, o filósofo francês, Michel Foucault, em sua concepção de poder, diz que por meio de seus mecanismos, as relações de poder, atuam como uma força, coagindo, disciplinando e controlando os indivíduos, que nesse sentido são os usuários de remédios sem a devida orientação. Por conseguinte, a automedicação apoiada pelas propagandas, é a causa de mais de 20 mil mortes por ano no Brasil, segundo dados da Abifarma (Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas).
Portanto, é necessário que os envolvidos cooperem para a redução do uso indiscriminado de fármacos. Sendo assim, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de verbas governamentais, investir na infraestrutura de postos de saúde e hospitais como no aumento salarial das equipes de saúde com a finalidade de assegurar melhor atendimento público e, assim aumentar a procura por consultas e reduzir a automedicação. Ademais, cabe ao Poder Legislativo, por meio de criação de leis, impor que o setor de indústria farmacológica apresente em suas propagandas o risco da automedicação, visando orientar os consumidores.