Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 13/09/2019
Segundo Zygmunt Bauman, o século XXI fortaleceu o imediatismo, evidência da fluidez das recentes construções sociais. Nesse sentido, a relação do homem com o seu corpo foi alterada, potencializando sua eficiência pelo avanço da fabricação de fármacos. No entanto, essa proatividade capitalizou a automedicação (ingestão de remédios sem prescrição médica) que é um risco à saúde. Por certo, cabe debater os papéis da indústria farmacêutica e dos consumidores frente a questão.
Em primeiro lugar, é importante salientar que a propaganda de remédios banaliza o uso irresponsável desse recurso. Segundo a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa, o Brasil é o sexto mercado de medicamentos no mundo. Logo, nota-se o interesse em realizar propagandas alienantes de cunho consumista. Contexto fortalecido no ambiente virtual, no qual é vendida uma imagem de praticidade frente as tormentas do cotidiano. Porquanto, esse ramo precisa de forte regulação.
Além disso, cabe ao consumidor alertar-se sobre os efeitos colaterais do uso indiscriminado de fármacos. De acordo com o Instituto de Ciência Tecnologia e Cultura, entre os jovens brasileiros de 16 a 24 anos 90,1% fazem uso da automedicação, muito pelo imediatismo em não esperar pela saúde pública, que se apresenta ineficiente. Outrossim, existe recomendação legal em casos simples; o exagero que é condenado. Assim, as consequências constituem-se em um caso de saúde pública.
Em suma, é interessante defender o autocontrole e a obediência ao tratamento médico, pois a automedicação pode ser desastrosa. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de agentes fiscalizadores, punir o teor trivial das propagandas de remédios, em caso de persistência aplicar multas mais severas, a fim de influenciar positivamente na conduta da sociedade. Como também, desenvolver campanhas televisivas para informar a população que nos casos mais simples é recomendável consultar um farmacêutico. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo dessa problemática.