Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 08/09/2019
A penicilina é um poderoso antibiótico descoberto por Alexander Flaming no século XX, seu uso salvou, e continua salvando, milhares de pessoas com doenças que antes eram consideradas fatais, as tornando facilmente tratáveis. Entretanto, hoje, o mal uso da penicilina e de outros medicamentos vêm antagonizando seus objetivos benéficos. A utilização de remédios sem a devida prescrição de um profissional pode piorar o estado de saúde do consumidor, causar dependência ou ainda tornar a doença ainda mais agressiva.
Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, cerca de 77% dos brasileiros tem o hábito de realizar a automedicação. Nem sempre ela é considerada ruim, visto que, muitas vezes uma cefaleia pode ser facilmente tratada com um simples analgésico, contudo, algumas pessoas se automedicam de forma inadequada e podem até mesmo agravar seu estado de saúde. Além disso, no caso de antibióticos, como a penicilina, seu uso inadequado pode fazer com que a bactéria se torne resistente ao medicamento, trazendo assim prejuízos para a saúde pública, pois uma doença que antes era facilmente tratada, agora é mais complexa.
Outrossim, alguns medicamentos podem causar dependência ao usuário sem que seu uso seja legitimamente necessário. O documentário “Take Your Pills”, disponível na Netflix, retrata como o uso de estimulantes como o Adderall e a Ritalina, mesmo sendo remédios de uso restrito a prescrição, é amplamente difundido entre atletas e estudantes que não necessitam realmente dessas drogas. Grande parte deles, têm acesso de modo ilícito a esses medicamento e os utilizam para melhorarem suas performances, mas no fim, acabam dependentes dessas substâncias. Da mesma forma, a dependência ocorre com outros medicamentos como calmantes e antidepressivos.
Portanto, para mitigar a prática da automedicação inadequada no Brasil e assim, consequentemente, melhorar a qualidade de vida e diminuir os gastos com saúde pública, é necessário que algumas medidas sejam tomadas. Primeiramente, cabe ao Ministério da Saúde restringir o acesso da população aos medicamentos que causam dependência ou que podem causar grandes malefícios, ao alterar a política de acesso a esses e permitir sua compra somente com prescrição médica. Ademais, o Conselho Federal de Farmácia juntamente ao de Medicina, devem realizar campanhas para elucidar a população sobre o uso de medicamentos, por meio de panfletos e informativos transmitidos por veículos de mídia de fácil acesso, garantindo assim que a população tenha mais consciência ao se automedicar.