Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 31/08/2019

A Revolta da Vacina de 1924, acontecida no Rio de Janeiro, evidenciou a dificuldade popular de entender a importância e necessidade de cuidados com a saúde. Hodiernamente, essa dificuldade é revelada no alto índice de automedicações. Se por um lado há pequenos benefícios em automedicar-se, por outro há a necessidade de medidas que combatam esse ato e suas consequências.

Primeiramente, é preciso destacar que a ausência de um sistema de saúde adequado é uma das razões que induzem à automedicação. Os brasileiros veem-se desmotivados a buscar ajuda médica pois a espera para o atendimento é demorada e, muitas vezes, burocrática. Nesse sentido, automedicar-se é economicamente e temporariamente mais benéfico do ponto de vista da população.

Entretanto, as consequências a longo prazo desse ato são preocupantes. Profissionais da saúde alertam para os riscos disso, principalmente quanto ao uso de antibióticos. Isso porque sua ingestão errônea seleciona bactérias mais resistentes, como afirma a teoria darwinista da seleção natural. Outrossim, remédios paliativos podem mascarar sintomas, agravar o quadro e até mesmo induzir tratamentos inadequados. Dessa forma, buscar ajuda médica é indispensável.

Depreende-se, portanto, que o Ministério da Saúde deve garantir a eficiência no atendimento e acesso à saúde, por meio de verbas e profissionais capacitados a fim de proporcionar rapidez e qualidade nas consultas e, consequentemente, combater a automedicação. Ademais, juntamente com a mídia, deve promover campanhas e palestras com farmacêuticos para alertar e conscientizar sobre os riscos disso. Apenas assim o Brasil colocará fim a sua herança histórica de descuido com a saúde.