Automedicação em debate no século XXI
Enviada em 07/09/2019
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a automedicação é um dos preceitos do autocuidado. De fato, quando empregados de forma responsável, os medicamentos isentos de predicação são importantes no alívio de sintomas e na promoção do bem-estar. Porém, o uso indiscriminado de remédios é preocupante para a saúde da população brasileira e reflete além do seu desconhecimento sobre os riscos dessa prática, a deficiência do sistema de saúde e a o interesse capitalista da indústria farmacêutica.
Primeiramente, em uma sociedade hiperconectada no sentido atribuído pelo filósofo Pierre Levy, o uso da internet é fundamental na democratização do conhecimento. Por outro lado, cresce o hábito de uso dessa ferramenta para o diagnóstico nos sites de busca, a chamada cibercondria, devido à falta de orientação da população e ao atendimento médico no sistema de saúde lento e precário. Consequentemente, a automedicação perpetua-se como um hábito cultural e a sociedade torna-se vulnerável aos casos de intoxicação e ao aumento da resistência bacteriana devido ao uso indiscriminado de antibióticos.
Além disso, analogamente ao conceito de sociedade de consumo do sociólogo Jean Baudrillard, o capitalismo gera demandas artificiais e cria necessidades de consumo. Nesse sentido, a indústria farmacêutica, ainda que esteja sujeita à regras específicas, utiliza artifícios da publicidade para gerar demanda e incentivar a medicalização da sociedade. Logo, sem a fiscalização dos abusos dessa prática, principalmente no ambiente virtual, os remédios perdem sua função de promoção de saúde e tornam-se apenas objetos de interesse capitalista para lucro dessas empresas.
Portanto, é necessário que o Estado, por meio de ação integrada do Ministério da Saúde com os meios de comunicação, elabore campanhas e debates com a participação de profissionais da saúde que alertem os riscos da automedicação, a fim de conscientizar a população sobre o uso responsável dos medicamentos, aliado ao investimento prioritário no setor de saúde do país com foco na atenção básica, para facilitar o acesso ao atendimento médico nas comunidades. De mesma importância, o governo, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, deve ampliar a fiscalização do cumprimento da regulamentação da publicidade de medicamentos pelas indústrias farmacêuticas, com o intuito de evitar práticas abusivas que manipulem a população e contribuam para a perpetuação da automedicação indiscriminada.