Automedicação em debate no século XXI

Enviada em 27/08/2019

Segundo Paracelso, a diferença entre um remédio e um veneno está na dosagem. Diante disso, a prática da automedicação, apesar de estar alinhada - na aplicação de forma responsável - com as orientações da Organização Mundial da Saúde para o autocuidado, é uma atividade perigosa e responsável por cerca de 20 mil mortes anuais, segundo a Associação Brasileira de Indústrias Farmacêuticas.

Sob essa conjectura, a automedicação está ligada à seleção de medicamentos para tratar sintomas e doenças mais comuns como gripes, cólicas e dores de cabeça sem o uso de aconselhamento profissional e é diferente da autoprescrição pois esta, frequentemente, se utiliza da tentativa de encaixe dos sintomas em doenças de forma autônoma e a compra de remédios, geralmente, tarjados. Ademais, a utilização dos meios digitais na busca de sintomas de enfermidade corriqueiras é um aliado contínuo no ato de se automedicar.

Nesse ínterim, a mídia atua como um meio que fortalece e até estimula o uso indiscriminado de fármacos que aliviem dores imediatas, as quais podem ter causa ainda desconhecidas, e seus usos oportunizados pelo comodismo e imediatismo diário. Logo, a modernidade líquida de Zygmunt Bauman, pautada em relações fluidas, rápidas e desapegas de compromisso , é uma das razões da busca pela automedicação. Além disso, a insatisfação com o serviço público de saúde, seja pela demora ou falta de qualidade, corrobora com essa prática perigosa.

Urge, portanto, que o Estado restrinja propagandas de medicamentos ou exija a descrição das consequências do mau uso e seus possíveis efeitos colaterais a afim de esclarecer e alertar os consumidores para que não ocorram tantas mortes decorrentes disso. Outrossim, é premente o investimento correto e efetivo  na saúde pública, através do Estado, com o objetivo de melhorar os atendimentos e diminuir as filas de espera, mediante a contratação de mais médicos e melhor infraestrutura, no intuito de atrair pacientes para consultas com a intenção de substituir a prática da automedicação.