Aumento da taxa de mortalidade infantil no Brasil
Enviada em 19/04/2020
O documentário produzido pela Netflix “Bebês em Foco” mostra o desenvolvimento das crianças em seu primeiro ano de vida: os episódios exploram o primeiro vínculo que um bebê cria com os pais, passando pela fase em que aprende a se alimentar, engatinhar pela sala, pronunciar suas primeiras palavras e dar os primeiros passos da infância. Infelizmente, no Brasil atual, o índice de mortalidade infantil vem aumentando, tornando o cenário de muitos lares divergente ao documentário, sendo o óbito de crianças entre zero a um ano uma realidade corriqueira no país. Diante dessa realidade, a situação de pobreza em que muitas famílias se encontram é fundamental para definir fatores agravantes de tal problemática.
A priori, a disparidade de qualidade de vida entre classes sociais brasileiras, vigente desde o período colonial, onde somente a elite tinha acesso à educação, por exemplo, contribuiu para a marginalização de grande parcela populacional que atualmente, encontra-se em meio a pobreza extrema. Com isso, fatores como o acesso difuso a informações, métodos contraceptivos e planejamento familiar faz com que o índice de nascimentos seja alto em tais regiões. Assim, consequentemente, há um maior número de recém nascidos submetidos à situações precárias, como má nutrição e falta de saneamento básico nos lares, resultando em um alto índice de mortalidade infantil nessas áreas.
Ainda, a Constituição Federal vigente assegura que todo cidadão brasileiro tem direito ao acesso universal e igualitário à saúde. Entretanto, a realidade tupiniquim é contrária à tais garantias, havendo uma grande divergência entre os setores de saúde privada e pública, que atende a população carente, inclusive grávidas. Com isso, as gestantes que procuram os serviços públicos de saúde, muitas das vezes, não obtém uma assistência médica eficiente, acarretando sérias complicações para com a vida do feto e futuro recém-nascido. Com isso, é nítido o papel segregacionista e elitista que permeia várias esferas do país, trazendo como resultados os crescentes índices de óbito infantil.
Diante disso, medidas precisam ser tomadas para mitigar tal impasse. Para que a problemática do aumento da taxa de mortalidade no Brasil seja resolvida, urge que o Ministério da Saúde, em parceria ao Ministério da Economia, proponha uma “Bolsa Gestante” por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal bolsa será disponibilizada às grávidas que comprovarem situação de pobreza e necessidade de assistência médica e financeira para passarem pela gestação e primeiros anos de infância do recém-nascido com maior facilidade. Espera-se, com essa ação, a diminuição dos efeitos da desigualdade social, que influenciam em aspectos determinantes para um crescimento populacional digno no país, assim como, uma sociedade mais igualitária.